Em entrevista ao podcast ‘How Leaders Lead’, Zak Brown citou o sucesso de ‘Drive to Survive’ , mas pediu mais da tecnologia e estratégia do esporte nas séries.
CEO da McLaren, Zak Brown explicou que as produções recentes de Fórmula 1, especialmente a série documental da Netflix, Drive to Survive teve grande responsabilidade na recente expansão do esporte, em termos de público e publicidade.
“Se ganhasse um dólar para cada vez que alguém me disse que a Netflix fez com que começasse a acompanhar a Fórmula 1, seria incrível. Antes da aquisição pela Liberty Media, a categoria precisava melhorar entre mulheres, jovens e na América do Norte. Drive to Survive merece muito crédito nisso“, destacou.

Divulgação: Netflix
De fato, os números do crescimento entre o público jovem e feminino se destacam entre os anos recentes da modalidade. Uma pesquisa feita pela própria organização do esporte revela que ao menos metade dos novos fãs que começaram a acompanhar as corridas há menos de um ano, tem entre 18 e 24 anos de idade.
A pesquisa complementa que a cada quatro novos fãs de Fórmula 1, três são mulheres, representando 75%.
O aumento de popularidade também é notório na América do Norte, especialmente nos Estados Unidos. Quando adquiriu os direitos da Fórmula 1 em 2017, esse era um dos maiores objetivos da Liberty Media.
‘’Hoje, não estamos apenas no mapa na América do Norte, somos grandes por lá — e isso é muito legal”, concluiu Zak Brown.
O crescimento em território americano é visível em diferentes áreas. No calendário da temporada, o Estados Unidos é o único país que aparece três vezes, hosteando três corridas: O GP de Austin, Miami e Las Vegas. Outro ponto, foi a renovação do contrato do Grande Prêmio de Miami até 2041, a maior já feita na história da categoria.
Segundo a própria Fórmula 1, o GP de Miami de 2024 atraiu a maior audiência televisiva dos EUA de todos os tempos, com 3,1 milhões de telespectadores acompanhando a ação.
O levantamento feito pela Fórmula 1 em parceria com a Motorsport Network ainda revelou que 73% dos fãs dos EUA planejam assistir a uma corrida no futuro.
Na entrevista para David Novak, Zak Brown comenta que o fato da Netflix acompanhar os bastidores do esporte e criar uma narrativa para as ações da temporada, asseguraram o interesse dos fãs:
“Agora que os fãs estão interessados e adoram o drama, os 20 pilotos, as equipes, temos de mostrar como o esporte realmente funciona, mas apresentando na medida certa. Todos ficariam fascinados se soubessem o que olho durante uma corrida no muro”
Ele destacou que durante um fim de semana de corrida, as equipes lidam com milhões de dados que são tirados do carro na pista e explicou que se mostrados da maneira certa, isso significaria uma aproximação maior dos fãs ao funcionamento real do esporte.
“Se olharmos para como precisamos evoluir os fãs e crescer a categoria, a tecnologia e a estratégia são insanas — não existe nada igual em outro esporte. É impossível descrever a velocidade, mas existem formas de mostrar isso”, afirmou ao podcast How Leaders Lead.
E explica que isso deve ser explorado não somente pelas produções que visam o entretenimento com a Fórmula 1, mas também pelas transmissões oficiais.
Para quem não acompanha, o esporte pode ser entendido como muito técnico e de baixa compreensão. A modalidade tem estratégias para tornar as especificidades da categoria mais simples ao olhar de fora. Para isso, a Fórmula 1 trouxe a dinâmica de mídia over-the-top (OTT) que tornaria a experiência de assistir uma corrida mais rica.
Além da experiência OTT, a Fórmula 1 contratou a Amazon Web Services que desde 2018 fornece gráficos durante a corrida para maior entendimento do público.
Com os sensores que existem em um monoposto de F1 atualmente é possível que a Amazon faça um serviço de previsões, mostrando possíveis ultrapassagens e múltiplas estratégias de pits-stops.

Divulgação: Fórmula 1 – AWS
O engenheiro Rob Smedley diz que esses gráficos têm a função de deixar o espectador mais próximo do esporte.
“Não é como o futebol onde você assiste e o que está acontecendo na sua frente é isso. Na F1, você tem que esperar até o fim às vezes para que tudo se desenrole e a estratégia se desenrole.”
Mesmo assim, a categoria ainda caminha para encontrar soluções mais simples para compreensão de todo funcionamento do esporte.
Zak Brown disse que esteve em conversas com as direções de Drive to Survive e das transmissões para que isso aconteça na medida certa, mas sem resoluções do momento em que isso ocorrerá.
Drive to Survive está disponível na Netflix com 7 temporadas. E em breve deve se confirmar mais detalhes da 8° temporada, com previsão de lançamento para 2026.
A Fórmula 1 está no período de férias e os pilotos voltam às pistas nos dias 29, 30 e 31 de agosto para o Grande Prêmio da Holanda, no circuito de Zandvoort.












