Espaço multicultural possui programação extensa. Evento sobre o Dia Nacional da Luta pela Pessoa com Deficiência está entre os destaques da semana
Por Sheila Cristina Santos | setembro, 17, 2025
Foi o desejo de mudança, somado à paixão por pessoas, cafés e livros, que motivou a publicitária Patricia Russo e o psicólogo Rubén Manrique a inaugurarem o Café Colombiano. “Não estávamos vendo perspectivas de crescimento em nossas áreas e estávamos exaustos. Queríamos evoluir, ter um espaço onde pudéssemos conviver com pessoas”, conta Patricia.
A atmosfera cultural do Bom Retiro pesou na escolha do endereço. Além de já residirem nas proximidades, o casal promovia encontros semanais em casa, recebendo amigos e vizinhos em torno de conversas e xícaras de café. “A gente morava numa vila e as pessoas entravam, cumprimentavam a gente. Daqui a pouco estavam dentro de casa, tomando café”, lembra a sócia-proprietária.
Mesmo sem experiência no ramo, o casal não hesitou em abraçar a oportunidade de abrir uma cafeteria. A proposta era simples e, ao mesmo tempo, acolhedora: criar um espaço intimista que remetesse à atmosfera de um lar, com sofá, mesa de jantar, estantes e livros – quase como uma extensão da própria casa. Uma ideia cativante para quem buscava tranquilidade e bom gosto em meio à correria da metrópole. O sucesso era apenas questão de tempo.
A história do Café Colombiano se confunde com a trajetória de vida do casal. “Sempre caminhamos em comunidades de base, pequenos territórios, com muita convicção e alegria em participar de grupos de arte, teatro e projetos culturais. Foi assim que nos conhecemos”, relatam.
“Ela estava fazendo uma apresentação de dança, e a gente se encontrou no dia seguinte. Começamos a conversar e aí rolou”, revela Rubén, em tom bem-humorado.
Raízes e identidade multicultural
O Bom Retiro é um reflexo da diversidade paulistana. Desde o início do século XX, o bairro acolheu sucessivas levas de imigrantes — entre eles judeus vindos de diversos países, italianos e gregos — que ajudaram a moldar sua identidade. Nas últimas décadas, novas comunidades, como coreanos, bolivianos, paraguaios e colombianos, passaram a compor o cenário, fortalecendo o comércio e reafirmando o caráter cosmopolita da região.
Foi nesse ambiente multicultural que Rubén, natural de Cali, encontrou inspiração para batizar o espaço.
A expressão popular “vamos lá no boliviano” costumava gerar confusões sobre sua nacionalidade. Do desconforto nasceu a ideia: “Por que não Café Colombiano?”. O nome ainda não existia, e a iniciativa ganhou força com a importação de café diretamente da Colômbia para servir aos clientes. A escolha abriu espaço para inserir elementos autênticos da cultura do país — da culinária às cores vibrantes.
A grande virada aconteceu com a abertura de uma unidade na Oficina Cultural Oswald de Andrade, após um processo de licitação. O espaço passou por reformas, ganhou formas e cores e, além da cafeteria, passou a abrigar também um restaurante. Durante uma década, consolidou-se como um dos principais pontos de encontro multicultural do bairro e fez história. “Tínhamos toalhas coloridas, mesas grandes e uma decoração especial. Por ser também restaurante, a dinâmica era outra, com estrutura diferenciada e um movimento mais intenso. Atendíamos todo o público que frequentava os espetáculos da casa”, relembra o casal.
Hoje, o Café Colombiano segue em novo endereço — na Alameda Eduardo Prado, 493, nos Campos Elíseos — e amplia seu repertório cultural para contemplar diferentes públicos. A programação inclui exposições de arte, oficinas de café, lançamentos de livros, debates sobre inclusão social, projetos de yoga, apresentações musicais e gastronômicas, entre outras atividades.
Além de fomentar diversas expressões artísticas, o café também promove o debate público e traz à tona temas de relevância histórica, como o acesso à memória e as recentes lutas sociais. Neste mês de setembro, destacam-se o Ensamble Têxtil — reflexão sobre as vítimas de desaparecimentos forçados na Colômbia, com participação de representante do Consulado Geral da Colômbia em São Paulo, no próximo dia 19/9, às 19h; e a Celebração da Vida – Dia Nacional da Luta pela Pessoa com Deficiência, com a dançarina Oriana Kefer e o Projeto A Vida Vale Mais, no dia 21/9, das 10h às 16h.

A força da culinária
A culinária é um capítulo à parte no Café Colombiano. O protagonismo se divide entre pratos típicos como a arepa com queijo — feita com milho branco cozido, recheada com muçarela e assada — e a torta negra, bolo tradicional preparado com frutas embebidas em vinho e especiarias, considerados carros-chefes da casa. Os proprietários exaltam o cuidado na escolha dos ingredientes. “Buscamos aquilo que é raiz, feito de forma artesanal, sem conservantes”, ressaltam.
A casa também aposta no café brasileiro de qualidade e, claro, no café importado da Colômbia. Servido à mesa em variados métodos. A bebida é tratada com respeito e cuidado, como um ritual que convida à introspecção e ao diálogo.
Além da experiência gastronômica, o Café Colombiano mantém uma livraria com títulos variados. “O café, o lugar do encontro e os livros sempre foram muito importantes na nossa vida. Nossa casa sempre teve muitos livros, nós sempre lemos e transmitimos isso aos nossos filhos desde cedo. Para nós, a literatura é parte da identidade do espaço, junto com a arte, a cor e a alegria colombiana, que também é brasileira. Aqui ninguém se sente deslocado. É o sincretismo cultural em prática”, define Patricia.
Ver programação completa em https://www.instagram.com/cafecolombiano/












