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Brasileiros correm para dolarizar patrimônios em meio à tensão com os EUA

Presidente Lula — Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República
Flórida lidera novo ciclo de investimentos e se consolida como principal destino do capital brasileiro no exterior

A escalada do dólar, a alta dos juros no Brasil e a recente tensão diplomática com os Estados Unidos estão redefinindo o rumo dos investimentos brasileiros. Em busca de proteção patrimonial e previsibilidade econômica, famílias, empresários e grandes grupos nacionais têm intensificado a compra de imóveis no mercado norte americano. A Flórida surge, mais uma vez, como protagonista desse movimento, transformando cidades como Miami, Orlando e Tampa em polos de atração para quem deseja dolarizar seus ativos.

Nos últimos 18 meses, o real perdeu cerca de 11% frente ao dólar, ao mesmo tempo em que a taxa Selic chegou a 15% ao ano, o maior nível desde 2006. O ambiente restritivo para crédito e a queda na liquidez doméstica fizeram com que ativos dolarizados ganhassem ainda mais relevância. Segundo a National Association of Realtors (NAR), estrangeiros movimentaram 56 bilhões de dólares em imóveis residenciais entre abril de 2024 e março de 2025, um crescimento de 33,2% em relação ao ciclo anterior. A Flórida concentrou 21% desse fluxo, equivalente a 11,8 bilhões de dólares, sendo que brasileiros responderam por até 800 milhões de dólares, com destaque para regiões já conhecidas pela comunidade nacional, como Miami, Windermere e Winter Garden.

O movimento vai além das famílias. Grupos como Votorantim S.A. e JHSF Participações ampliaram presença institucional, reforçando estratégias de diversificação e internacionalização. Essa retomada ocorre após forte retração entre 2022 e 2024, quando as transações internacionais na Flórida caíram mais de 50%. Agora, fatores como segurança jurídica, liquidez do mercado americano e retornos reais acima de dois dígitos recolocam os brasileiros entre os principais investidores.

Fundos especializados também ocupam espaço relevante nesse ciclo. A Valios Capital, fundo imobiliário americano voltado ao público brasileiro, tem registrado rentabilidade média acima de 12% ao ano em dólar, atuando em mercados como Flórida Central, Texas e Arizona. Para o diretor financeiro Raul Nogueira, o momento representa uma “janela decisiva” para dolarizar patrimônios: “O mercado americano oferece previsibilidade e segurança. Quem já se posicionou está colhendo os frutos”, afirma.

O fator geopolítico também reforça a decisão de buscar ativos em dólar. A imposição recente de tarifas comerciais pelos Estados Unidos contra o Brasil, motivada por disputas políticas, elevou a percepção de risco e acelerou a busca por proteção em ativos externos. Apesar da resposta diplomática do governo brasileiro, o episódio deixou claro que instabilidades institucionais podem impactar a economia de forma inesperada.

Mais que uma oportunidade, o movimento representa um novo ciclo de internacionalização de capitais brasileiros. A Flórida segue como destino principal, mas investidores já ampliam horizontes para estados do sul e sudeste norte americano, atraídos pelo crescimento populacional e pelo dinamismo imobiliário. Em um cenário global volátil, o recado é claro: expandir fronteiras não é apenas estratégia, mas uma forma de garantir o futuro.

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