Brasil encerra campanha sem derrotas no tempo regulamentar, mas cai pela terceira vez nos pênaltis.
Em Doha, no Catar, a Seleção Brasileira Masculina Sub-17 terminou a Copa do Mundo da categoria na quarta colocação após perder para a Itália nos pênaltis na disputa pelo terceiro lugar. Em um jogo dramático realizado nesta quinta-feira (27), no Complexo Esportivo Aspire Zone, o Brasil empatou por 0 a 0 no tempo regulamentar e acabou derrotado por 4 a 2 nas cobranças decisivas, resultado que garantiu à Azzurra a medalha de bronze.
A partida se tornou ainda mais desafiadora para o time comandado por Carlos Eduardo Patetuci logo aos 12 minutos do primeiro tempo, quando o zagueiro Vitor Fernandes recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. Com um jogador a menos durante quase todo o duelo, o Brasil precisou adotar uma postura mais defensiva para conter a pressão italiana e buscar chances em contra-ataques esporádicos. O goleiro João Pedro teve atuação segura e realizou defesas importantes, o que ajudou a manter o placar zerado.
Na segunda etapa, o Brasil chegou a balançar as redes com Felipe Morais, mas o gol foi anulado pelo árbitro de vídeo (VAR) devido a impedimento. A Itália seguiu controlando a posse de bola, porém esbarrou na boa organização defensiva da equipe brasileira, mesmo em desvantagem numérica.
Sem gols no tempo normal, a decisão foi para as penalidades máximas. João Pedro defendeu uma das cobranças italianas e reacendeu a esperança brasileira, mas o goleiro Longoni brilhou ao defender os chutes de Luis Pacheco e do capitão Luiz Eduardo. A Itália converteu quatro cobranças, garantindo a vitória por 4 a 2 e deixando o Brasil fora do pódio.
Assista ao jogo na íntegra através do link: https://www.youtube.com/watch?v=DfXV9iXMuMs
O técnico Carlos Eduardo Patetuci escalou a Seleção Brasileira no tradicional 4-3-3, mas precisou adaptar a equipe rapidamente após a expulsão precoce. O time titular que iniciou a partida contou com João Pedro no gol; a linha defensiva foi formada por Vitinho, Vitor Fernandes (expulso no primeiro tempo), Luis Eduardo e Souza nas laterais. O meio-campo teve Dell, Tiago e Russo, responsáveis pela criação e marcação. No ataque, a velocidade ficou por conta de Raynan, Felipe Morais e João Costa. No decorrer do jogo, o Brasil ainda promoveu substituições importantes com a entrada de jogadores como Luis Pacheco, que participou da decisão por pênaltis.
Já a Itália, sob o comando de Massimiliano Favo, entrou em campo com o goleiro Longoni, que seria o herói da disputa por pênaltis. A defesa italiana contou com Andreucci, Natali, Acquaah e Cremaschi protegendo a área. No meio-campo, a equipe buscou equilíbrio com Riccio, Romanelli e Andre Luongo, com a missão de ditar o ritmo da posse de bola. Na frente, o poder de fogo foi depositado no trio ofensivo formado por Liberali, Camarda e Francesco Luongo, que tentaram explorar a superioridade numérica após a expulsão brasileira.
Apesar da derrota na disputa pelo bronze, a campanha brasileira no Catar foi marcada por consistência. O time encerrou o Mundial sem perder no tempo regulamentar em nenhum dos oito jogos disputados, somando três vitórias e cinco empates. Na fase de grupos, goleou Honduras por 7 a 0 e a Indonésia por 4 a 0, além de empatar com a Zâmbia por 1 a 1, assegurando a liderança do Grupo H.
O mata-mata também foi marcado por equilíbrio e dramas nos pênaltis. O Brasil eliminou o Paraguai após empate sem gols e vitória por 5 a 4 nas cobranças, e repetiu o roteiro contra a França nas oitavas de final (1 a 1, 4 a 3 nos pênaltis). Nas quartas, venceu o Marrocos por 2 a 1 com gol nos minutos finais. A queda na semifinal veio diante de Portugal após um novo 0 a 0, seguido de derrota nas penalidades, o que levou a equipe portuguesa à final contra a Áustria.
Contudo, o Brasil volta do Catar sem a medalha, mas com a sensação de que essa geração ainda tem muito a oferecer. Mesmo nos momentos mais difíceis, como jogar quase um jogo inteiro com um a menos e enfrentar três disputas de pênaltis seguidas, o time mostrou personalidade e não deixou de competir. Fica a frustração pela forma como a campanha terminou, mas permanece a impressão de que vários desses garotos ainda vão se destacar no futebol brasileiro nos próximos anos.












