O INCT-IACiber terá sede na UFMG e buscará soluções contra crimes digitais, além de formar profissionais e apoiar políticas públicas na área
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A cibersegurança tornou-se um dos maiores desafios do mundo digital. O avanço da inteligência artificial (IA) trouxe benefícios para diversos setores, mas também abriu espaço para ataques mais sofisticados. No Brasil, a criação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Inteligência Artificial para Cibersegurança (INCT-IACiber) pretende fortalecer a proteção digital do país.
O instituto, sediado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, foi aprovado em 2025 e reunirá pesquisadores de diferentes áreas. O objetivo é unir ciência, formação de profissionais e inovação tecnológica para enfrentar as ameaças que se multiplicam no ambiente digital.
Crescente uso da IA em crimes cibernéticos
Ferramentas de inteligência artificial passaram a ser usadas não apenas para defesa, mas também para ataques. Com elas, criminosos digitais conseguem automatizar fraudes, criar e-mails de phishing altamente personalizados e até gerar deepfakes convincentes para enganar vítimas.
Essas práticas ampliam a escala e a sofisticação dos ataques, tornando-os mais rápidos e difíceis de detectar. “A proteção digital precisa acompanhar essa evolução, criando soluções éticas e resilientes”, explica Michele Nogueira, cientista da computação, professora da UFMG e vice-coordenadora do INCT-IACiber.

Foto: Softsell/ Divulgação
Uma abordagem multidisciplinar
O instituto atuará em um modelo inédito de pesquisa, conectando tecnologia, direito, psicologia e sociologia. A proposta é tratar a cibersegurança não apenas como um desafio técnico, mas também social e jurídico.
“Não basta desenvolver ferramentas. É necessário formar cidadãos e profissionais capazes de compreender os riscos e agir com responsabilidade”, afirma Nogueira.
Nesse sentido, o projeto prevê campanhas de conscientização e treinamentos práticos, para inserir a segurança digital na rotina das organizações e da sociedade.
Desafios do Brasil em cibersegurança
O Brasil vive uma contradição: é reconhecido pela ONU como um dos países com maior maturidade normativa na área, mas ainda sofre com ataques frequentes.
Em 2024, foram registrados mais de 700 milhões de tentativas de ataques cibernéticos no país, segundo o relatório Panorama de Ameaças para a América Latina 2024. Isso equivale a 1.379 ataques por minuto.
O Brasil ocupa o posto de segundo país mais atacado do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Ransomware e phishing lideram os registros. Apesar da gravidade, muitas empresas ainda adotam uma postura reativa, investindo apenas após prejuízos.
Investimentos em alta, mas ainda insuficientes
Segundo levantamento da Brasscom, estima-se que as empresas brasileiras investirão R$ 104,6 bilhões em cibersegurança até 2028, um crescimento de 43,8% em relação ao período anterior.
Apesar do avanço, os investimentos ainda enfrentam desafios. “A cultura de prevenção não está consolidada. Muitas organizações só tratam do tema após incidentes, o que gera prejuízos financeiros e de reputação”, alerta Michele Nogueira.

Foto: Investimentos em Cibersegurança / FIA
Impacto na competitividade da indústria
Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado em abril de 2025, apontou o Brasil na última posição entre 18 países no ranking de competitividade industrial. Fatores como burocracia tributária e baixa inovação pesaram negativamente.
Para especialistas, a cibersegurança pode ser um diferencial estratégico nesse cenário. “Investir em proteção digital e inteligência artificial fortalece a economia, amplia a confiança do consumidor e garante soberania nacional”, explica Nogueira.
O papel do INCT-IACiber
O novo instituto terá metas de impacto em setores sensíveis, como saúde, energia e finanças. Entre as frentes de atuação estão:
- desenvolvimento de IA ética e explicável;
- proteção de dados sensíveis e infraestruturas críticas;
- capacitação de profissionais em diferentes níveis;
- apoio a políticas públicas baseadas em evidências científicas.
O INCT-IACiber também integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024–2028, em parceria com universidades nacionais e internacionais, além de órgãos governamentais e empresas privadas.
Perfil da pesquisadora
Michele Nogueira, uma das líderes do projeto, é doutora pela Sorbonne Université e realizou pós-doutorado na Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos. Professora da UFMG, foi integrante do Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais da ANPD. É reconhecida internacionalmente por sua atuação em redes e segurança digital.
Saiba mais no site: Site da UFMG
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