Foto: Reprodução Folha2
Com foco na digitalização bancária, banco fecha 390 unidades no Ceará, Bahia e em todo o Brasil
O fechamento de agências do Bradesco no Ceará e em outros estados tem provocado demissões em massa e ampliado a exclusão financeira no país. A situação, que já atinge centenas de famílias, foi inicialmente noticiada pelo portal Daqui do Cariri e reforçada por dados da Federação dos Bancários (FEEB-PR). A partir dessas informações, esta reportagem aprofunda o impacto regional e nacional do processo de reestruturação do banco.
Fechamento de agências do Bradesco
Digitalização bancária acelera fechamento de agências em vários estados do Brasil
O Bradesco, uma das maiores instituições financeiras do país, tem acelerado o fechamento de agências bancárias em todo o Brasil. A medida, segundo o banco, é justificada pelo avanço da digitalização bancária, já que grande parte das operações pode ser realizada por aplicativos e canais online. No entanto, sindicatos e clientes denunciam que a decisão afeta o atendimento presencial Bradesco, especialmente em regiões com menor infraestrutura digital.
No Ceará, moradores de municípios de médio porte já relatam dificuldades para resolver demandas que exigem contato direto com gerentes e atendentes. Situação semelhante ocorre na Bahia, onde mais de 130 agências foram encerradas nos últimos cinco anos, deixando comunidades inteiras sem suporte físico. Para muitos clientes, isso significa enfrentar longas viagens até cidades vizinhas para conseguir realizar serviços básicos.
Impacto direto nos clientes do interior
Cidades do interior sofrem com fechamento de agências do Bradesco
A moradora de Antonina do Norte (CE), Fernanda Lima, relata as dificuldades que enfrenta desde o fechamento da agência mais próxima. Para receber o salário-maternidade, ela precisa se deslocar até a cidade vizinha:
“Meu salário-maternidade é recebido na folha, então só recebo na agência. Todo mês eu tenho que ter gastos com gasolina e alimentação e levar minha filha de três meses comigo, não tenho com quem deixar ela. Saio de Antonina às 08h30, mas a agência só abre às 10h. Tenho que ficar mais de uma hora com criança no colo, esperando na fila na rua para conseguir sacar.”

Local onde funcionava a agência em Antonina do Norte. Foto: Mercia Luanna
O relato de Fernanda expõe um cenário comum em várias cidades do interior nordestino. Segundo dados do Banco Central, mais de 1.200 municípios brasileiros não possuem agência bancária física, o que obriga a população a percorrer longas distâncias para acessar serviços básicos, como saque de benefícios sociais e aposentadorias. Essa realidade, apontada também por estudos da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), agrava a vulnerabilidade das famílias de baixa renda, que acabam arcando com custos adicionais de transporte e enfrentando filas maiores em agências de municípios vizinhos.
Digitalização e exclusão bancária
Avanço do digital no Bradesco amplia exclusão financeira no Brasil
O discurso oficial do Bradesco é de que a digitalização bancária traz praticidade, agilidade e redução de custos. De fato, o uso de aplicativos cresceu significativamente nos últimos anos, com milhões de clientes realizando transações via celular. Porém, especialistas alertam para a chamada “exclusão digital bancária”, fenômeno em que pessoas sem acesso à internet ou sem habilidade tecnológica ficam à margem do sistema.
Isabel Ellen, também de Antonina do Norte (CE), relatou como sua mãe depende dela para realizar transações bancárias:
“Minha mãe só não precisa se deslocar para outros lugares pois minha irmã e eu sabemos mexer no app e aí fazemos por ela, mas sem a gente ela fica totalmente dependente de outra pessoa, o que já traz um risco aos dados e ao dinheiro dela.”
Segundo estudos, cerca de 25% da população brasileira ainda enfrenta dificuldades de acesso à internet de qualidade, o que reforça o problema da exclusão financeira no Brasil. Para os sindicatos, o banco deveria adotar uma estratégia de digitalização inclusiva, garantindo canais de atendimento presencial Bradesco e híbridos que respeitem a diversidade social e regional do país.
Demissões em massa no Bradesco
Banco demite mais de 2.400 funcionários entre janeiro e julho de 2025
De acordo com levantamento da Federação dos Bancários (Feebpr), em parceria com sindicatos estaduais, o Bradesco demitiu 2.466 funcionários entre janeiro e julho de 2025, o que representa quase 12 demissões por dia. As justificativas oficiais apontam para a “adequação do quadro de funcionários à nova realidade digital”, mas a categoria denuncia uma política agressiva de cortes, que compromete não apenas a renda de milhares de famílias, mas também a qualidade do atendimento presencial Bradesco.
Entidades sindicais também afirmam que o ritmo das demissões tende a aumentar até o fim do ano, considerando o histórico de reestruturações do banco em períodos de alta lucratividade. Para os trabalhadores, a situação revela uma contradição: enquanto o Bradesco anuncia resultados bilionários, reduz postos de trabalho e amplia a sobrecarga para os profissionais que permanecem.
Reação sindical e mobilizações
Sindicatos denunciam demissões e fechamentos no Bradesco
O movimento sindical tem se organizado em diversas regiões do país para denunciar os impactos das demissões e do fechamento de agências do Bradesco. Em alguns estados, como o Maranhão, já existem ações judiciais para impedir a reestruturação desenfreada e garantir a permanência de unidades em municípios estratégicos.

Foto: Reprodução SindicarioNet
Na Bahia, sindicatos de bancários têm promovido protestos e audiências públicas para cobrar alternativas que não prejudiquem os clientes. A pauta central é a defesa do direito ao acesso bancário como um serviço essencial, principalmente em cidades menores que já sofrem com a falta de agências de outras instituições.
Repercussão política e social
Parlamentares e prefeituras questionam fechamento de agências do Bradesco
O fechamento das agências do Bradesco e as demissões em massa já chamaram a atenção de parlamentares e órgãos de defesa do consumidor. No Distrito Federal e em estados do Nordeste, deputados estaduais e federais têm solicitado audiências com representantes do banco para discutir os impactos da medida.
Além disso, prefeituras do interior relatam perdas financeiras em arrecadação e movimento econômico, já que o fechamento das agências provoca deslocamento de clientes para municípios vizinhos, reduzindo a circulação de dinheiro localmente.
O Caminho da inclusão que exclui
Fechamento de agências e demissões do Bradesco levantam debate sobre inclusão financeira
O fechamento de agências do Bradesco e as demissões em massa em 2025 revelam um dilema do setor bancário brasileiro: como equilibrar a busca por eficiência digital com a necessidade de garantir inclusão financeira e social?
Enquanto o banco celebra os avanços tecnológicos, milhares de clientes e trabalhadores enfrentam as consequências de uma política que, na prática, tem ampliado distâncias físicas e sociais. O debate está apenas começando, mas já é claro que a transformação digital do Bradesco precisa considerar não apenas os números de sua lucratividade, mas também o impacto humano que deixa pelo caminho.












