Boca de 09 e Neymar -Foto: Divulgação/Instagram
Influenciador baiano sofre suspensões em diversas redes sociais após vídeos controversos. Banimento ocorreu durante transmissão ao vivo
O influenciador baiano Vinicius Oliveira Santos, de 16 anos, conhecido como “Boca de 09”, foi banido da plataforma de streaming Kick durante uma transmissão ao vivo nesta semana. A medida foi tomada após uma sequência de polêmicas envolvendo o jovem, que já havia enfrentado bloqueios em redes como Twitch, YouTube, Instagram e TikTok por violar diretrizes de uso.
Entre os episódios mais recentes está a divulgação de vídeos em que o influenciador aparece dirigindo veículos sem possuir carteira de habilitação. O conteúdo gerou críticas nas redes sociais e alertas sobre os riscos de influenciadores menores de idade exporem comportamentos ilegais ou perigosos para um público muitas vezes formado por crianças e adolescentes.
Além disso, Boca de 09 já protagonizou transmissões com linguagem inapropriada e atitudes controversas, o que provocou debates sobre a falta de limites no ambiente digital. Mesmo após diversas suspensões, ele continua ativo em outras plataformas e costuma reagir às punições com ironia, afirmando que não tem nada a perder.
A situação levanta questionamentos sobre o papel das plataformas digitais na mediação de conteúdos produzidos por menores de idade e a eficácia das políticas de moderação. Especialistas defendem mais responsabilidade por parte das empresas de tecnologia, mas também alertam para a necessidade de orientação familiar e educacional.
A trajetória de Boca de 09 escancara os desafios da fama precoce e os impactos da exposição desenfreada nas redes, sobretudo quando não há acompanhamento adequado ou limites claros para o alcance e influência de jovens criadores.
O caso de Boca de 09 também escancara um fenômeno cada vez mais comum nas redes sociais: a adultização precoce de crianças e adolescentes. Esse processo ocorre quando jovens são expostos a situações, comportamentos e responsabilidades típicas da vida adulta, muitas vezes sem maturidade emocional para lidar com as consequências.
Ao ocupar espaços tradicionalmente dominados por adultos, como transmissões ao vivo com linguagem explícita, exibição de bens de consumo e participação em polêmicas públicas, menores acabam assumindo um papel que exige discernimento e autocontrole que ainda estão em formação. Essa exposição pode comprometer o desenvolvimento psicológico e social do jovem.
A busca por fama e engajamento, somada à pressão do público e à monetização dos conteúdos, contribui para a perda de referências da infância e da adolescência. Quando a audiência passa a cobrar posturas “maduras” de crianças, há uma distorção nos papéis que pode afetar tanto o criador de conteúdo quanto quem o consome.
Especialistas alertam que a adultização digital não é apenas um problema de comportamento individual, mas um reflexo de uma sociedade que valoriza o sucesso precoce, mesmo que isso custe o bem-estar de jovens ainda em formação. A responsabilização deve ser compartilhada entre famílias, plataformas, marcas e o próprio público, que também consome e impulsiona esse tipo de exposição.
Apesar das críticas às plataformas, muitos especialistas defendem que a resolução desses casos passa, sobretudo, por um trabalho de base que envolve educação midiática, acompanhamento familiar e políticas públicas de proteção à infância e adolescência.
Pais e responsáveis muitas vezes não acompanham de perto o tipo de conteúdo que seus filhos produzem ou consomem, o que deixa uma lacuna perigosa. Em alguns casos, há até uma conivência, ou incentivo, por parte de adultos que veem na fama digital uma forma de ascensão financeira, mesmo que à custa da infância e da reputação dos filhos.
Além disso, há um vácuo regulatório no Brasil em relação à atuação de menores como influenciadores digitais. Embora o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ofereça algumas diretrizes para a proteção da imagem e dos direitos de crianças e adolescentes, não há uma legislação específica que trate da atividade profissional de influenciadores mirins, o que abre margem para abusos e exploração.
A reportagem do Portal O Informe tentou contato com Boca de 09 e a Kick, porém até agora não teve retorno.












