Capital paraense, se prepara para sediar a COP30 e aposta na valorização cultural e ambiental. Saiba um pouco mais sobre a cidade
Conhecida carinhosamente como “Cidade das Mangueiras” e “Cidade Morena”, Belém encanta por suas paisagens, arquitetura histórica e riqueza cultural. Ao longo de uma das principais avenidas da capital paraense, um extenso túnel verde formado por mangueiras divide espaço com um dos mais belos teatros do Brasil: o Theatro da Paz, símbolo da opulência vivida durante o ciclo da borracha, com forte influência da arquitetura francesa.
Ainda nesse clima de Belle Époque, destaca-se o complexo do Ver-o-Peso, cartão-postal da cidade que passou por diversas transformações para se adequar ao estilo europeu da época. O espaço abriga os tradicionais Mercados de Ferro, conhecido popularmente como o Mercado de Peixe, inaugurado em 1898, e o Mercado de Carne, inaugurado em 1901, preservando até hoje a rotina popular de comerciantes, cosumidores e visitantes.
Outro destaque da revitalização urbana é a Estação das Docas, inaugurada em 2000 a partir da reestruturação de três galpões do antigo porto da cidade. Com estrutura em ferro inglês, característica marcante da arqueitetura do século XIX, o espaço reúne gastronomia, lazer, cultura, moda e artesanato, oferecendo uma experiência completa para moradores e turistas.
Cortada por diversos igarapés que serpenteiam a cidade como “cobras d’água”, Belém inspirou o poeta paraense Ruy Barata a compor versos da canção Esse Rio é Minha Rua, que retratam a vida dos ribeirinhos. A cidade, localizada no coração da Amazônia, carrega essa relação íntima com a natureza em seu cotidiano.
Na culinária, considerada a alma do povo paraense, sabores únicos se destacam. Pratos como maniçoba, tacacá, pato no tucupi e os tradicionais sorvetes de frutas regionais, como bacuri, cupuaçu, muruci e taperebá, compõem um cardápio amazônico inconfundível. O açaí servido com peixe frito, farinha d’água ou farinha de tapioca é uma das combinações mais tradicionais e apreciadas. A fusão das culturas portuguesa, indígena e africana contribuiu para tornar a culinária paraense um patrimônio reconhecido pela Unesco como exemplo de Cozinha Criativa.
A fé também ocupa papel central na vida dos belenenses. O Círio de Nazaré, realizado anualmente em outubro, é considerado uma das maiores manifestações religiosas do Brasil. A imagem de Nossa Senhora de Nazaré, carinhosamente chamada de “Nazinha”, é acompanhada por milhares de fiéis em uma procissão emocionante que toma as ruas da capital.
Belém ainda oferece diversas opções para quem busca contato com a natureza. Espaços como o Bosque Rodrigues Alves e o Museu Paraense Emílio Goeldi abrigam amostras da floresta amazônica em pleno centro urbano. Já o Parque Estadual do Utinga atrai praticantes de atividades ao ar livre, enquanto o Portal da Amazônia é ideal para quem busca lazer, ciclismo e prática de exercícios físicos à beira do rio.
Ao redor da capital, o visitante também encontra ilhas de grande beleza natural, como a Ilha do Combú, famosa por seu chocolate artesanal, e a Ilha das Onças, localizada no município vizinho de Barcarena, na Região Metropolitana.
Mas, apesar de todas as qualidades dessa cidade cheia de natureza, sabores e gente hospitaleira, assim como outras capitais brasileiras, ela sofre com o descaso em relação ao saneamento básico. Trata-se de uma demanda histórica da população, que ainda não foi atendida à altura das necessidades da população de Belém.
Um levantamento realizado pelo Instituto Trata Brasil, em 2022, apontou que o estado do Pará investiu pouco mais de R$ 22 por habitante em saneamento básico. Segundo o estudo, o valor ideal para garantir a universalização dos serviços seria de aproximadamente R$ 231 por habitante/ano.
Em novembro, entre os dias10 e 21, a Cidade das Mangueiras será palco da 30° Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).












