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Atos de 7 de Setembro expõem divisão entre lulistas e bolsonaristas em SP

AManifestação pró-Lula pede redução de impostos e ampliação de direitos; bolsonaristas defendem anistia a Bolsonaro e aliados

As celebrações do feriado de 7 de Setembro, neste domingo, levaram às ruas de São Paulo apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Enquanto lulistas se concentraram na Praça da República, no centro, bolsonaristas reuniram-se na avenida Paulista.

Os atos tiveram pautas distintas. No campo governista, lideranças políticas e sociais defenderam a redução do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o fim da escala 6×1, a taxação dos super-ricos, a diminuição da jornada semanal de trabalho e a preservação ambiental. Também houve críticas ao imperialismo americano e manifestações de solidariedade ao povo palestino.

Entre os bolsonaristas, o principal pedido foi a anistia do ex-presidente e de seus aliados. A manifestação foi conduzida pelo pastor Silas Malafaia e contou com a presença dos governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Romeu Zema (Novo-MG), da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). Entre os símbolos mais visíveis estavam bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, incluindo uma versão de grande porte da bandeira americana.

Em discurso, Tarcísio afirmou que não houve crime nos atos de 8 de janeiro, questionou provas apresentadas contra Bolsonaro e cobrou do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a votação da anistia aos condenados.

Segundo levantamento do Monitor do Debate Político, do Cebrap, em parceria com a ONG More in Common, os dois atos reuniram 42,2 mil pessoas, com margem de erro de 12%. O público variou entre 37,1 mil e 47,3 mil no pico. Em 2024, a mobilização de 7 de Setembro na Paulista havia reunido 45,4 mil.

No ato pró-Lula, discursaram os deputados Orlando Silva (PCdoB-SP), Ediane Maria (PSOL-SP) e Edinho Silva (PT). O ministro da Agricultura, Paulo Teixeira (PT), vestido com a camisa da seleção, criticou Tarcísio pelo apoio ao governo dos Estados Unidos e afirmou que as cores verde e amarela e a bandeira nacional pertencem ao povo brasileiro, e não a partidos políticos.

“O governador de São Paulo deveria defender a economia do Estado, prejudicada pelas tarifas impostas pelos EUA”, pontuou.

A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) destacou a necessidade de barrar a anistia defendida por aliados do ex-presidente e de manter a luta contra o imperialismo americano. Para ela, o 7 de Setembro mantém caráter de mobilização popular.

“É fundamental fortalecer a luta contra o imperialismo americano e contra a anistia que os familiares de Bolsonaro tentam rifar. O 7 de Setembro se reafirma como data de mobilização, para afirmar um Brasil livre e soberano”, disse.

Fernanda Melchionna (PSOL-RS) Câmara dos Deputados – (Foto: Zeca Ribeiro)

O professor de Relações Internacionais Gilberto Maringoni, da Universidade Federal do ABC, defendeu que a soberania nacional seja expressa em políticas concretas, como geração de emprego, alimentação e educação.

“A soberania precisa deixar de ser uma palavra abstrata e entrar no cotidiano das pessoas. Isso significa emprego, comida, educação, transporte e segurança. No caso do túnel Santos-Guarujá, as empreiteiras nacionais ficaram de fora, e isso enfraquece a soberania”, afirmou.

Com pautas divergentes, os dois atos reforçaram a disputa política entre governo e oposição em torno do 7 de Setembro.

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