Conheça mais sobre doença que atingiu o Presidente Lula e mais 15 milhões de brasileiros
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a artrose afeta cerca de 80% da população mundial com mais de 65 anos. No Brasil, estima-se que aproximadamente 15 milhões de pessoas convivam com a doença, o que representa cerca de 7% da população, de acordo com o Ministério da Saúde.
Em 2023, o presidente Lula passou por uma cirurgia de infiltração no hospital Sirio Libanes em São Paulo. O procedimento consistiu em colocar uma prótese no quadril e foi feito para tratar dores, já que o presidente possui artrose na região.

O que é Artrose?
A Artrose (ou osteoartrite) é uma doença degenerativa que afeta as cartilagens (tecidos que protegem as articulações). A partir do desgaste das cartilagens, aumenta o atrito entre os ossos, o que provoca dor, desconforto e até inflamações, podendo impossibilitar movimentos. A doença geralmente está associada ao envelhecimento e é mais presente nas articulações de carga, ou seja, naquelas que carregam mais peso durante a vida, como as da coluna, quadril, joelho e pés.
Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a artrose é mais frequente em mulheres, especialmente nas articulações das mãos e dos joelhos. Já nos homens, a forma mais comum da doença costuma afetar a articulação coxofemoral, que liga o fêmur à bacia.
Levando em conta a idade, ela aumenta com o passar do tempo, sendo mais comum após os 60 anos e com incidência de 85% nas pessoas com mais de 75 anos.
As causas da Artrose estão relacionadas principalmente com o envelhecimento mas também podem surgir a partir de histórico familiar, obesidade, exercícios físicos repetitivos com as articulações e atividades esportivas de alto rendimento.
Em entrevista ao portal Informe, o Dr. Maurício Leite, ortopedista e cirurgião de mão e punho, explicou que algumas condições de saúde podem favorecer o aparecimento precoce da artrose. Segundo ele, a artrite reumatóide — por ser uma doença autoimune em que o corpo ataca a si mesmo — pode acelerar o desgaste das articulações. “É uma doença sistêmica em que o corpo gera substâncias que ele próprio identifica como nocivas, o que resulta em um processo inflamatório constante que pode levar a uma artrose precoce”, afirmou. O médico também destacou que o lúpus, algumas doenças renais e o uso prolongado ou em altas doses de corticoides estão entre os fatores que podem contribuir para o surgimento precoce da degeneração articular.
Quais são os sintomas?
Segundo o Dr. Maurício, os sintomas mais comuns incluem dor persistente, limitação dos movimentos, crepitação — aquele som de rangido ou sensação de areia na articulação — e deformidade, especialmente nos dedos. “A artrose, em geral, se manifesta como um quadro doloroso, com dor que vai limitando progressivamente as atividades”, explica.
Ele ressalta a importância de um médico especialista, principalmente ortopedista ou geriatra, no diagnóstico e depois um tratamento multidisciplinar.
“O ideal, o melhor dos mundos, é que a gente tivesse um acompanhamento multidisciplinar, onde a gente tivesse um acompanhamento de nutricionista para dar uma alimentação adequada e um controle de peso e massa muscular. A gente tivesse um educador físico para poder prescrever o treinamento físico ideal para aquele paciente sem ter uma sobrecarga das articulações. O ortopedista, que é o médico especialista nessa saúde musculoesquelética. E o geriatra, que é normalmente quem atende o público que sofre mais de artrose, que é o público mais envelhecido”
A doença impacta de maneira significativa a qualidade de vida dos pacientes. De acordo com dados da Previdência Social no Brasil, a doença representa 7,5% de todos os afastamentos do trabalho e ocupa o segundo lugar entre as principais causas de concessão do auxílio-doença inicial, com o mesmo percentual. Também é a segunda causa de prorrogação desse benefício, respondendo por 10,5% dos casos, e aparece em quarto lugar entre os motivos que levam à aposentadoria por invalidez, com 6,2%
Além disso, segundo um estudo realizado pelo Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, aproximadamente 1 bilhão de pessoas sofrerá com a artrose em 2050.
Tratamento
O tratamento da artrose pode variar conforme a gravidade e as condições de cada paciente. Normalmente, o primeiro passo é adotar uma abordagem mais conservadora, com o uso de anti-inflamatórios e fisioterapia. Em algumas situações, é indicado o uso de órteses para prevenir e diminuir a carga sobre a articulação, bem como a realização de infiltrações com ácido hialurônico. Além disso, existem procedimentos minimamente invasivos, como a denervação — técnica que visa interromper a transmissão dos sinais de dor por meio de nervos específicos.
Quando não há evolução com o tratamento conservador, a intervenção cirúrgica é recomendada, levando em consideração algumas condições específicas. “O tratamento cirúrgico depende da idade do paciente, do tipo de atividade que realiza e da articulação comprometida. Cada caso precisa ser avaliado com cuidado para que possamos adotar a melhor técnica para aquela pessoa”, afirma o especialista.
Nos casos mais leves ou moderados, é possível recorrer a procedimentos minimamente invasivos, como a neuroablação — técnica que interrompe a condução dos sinais de dor entre a articulação afetada e o cérebro. “O paciente continua com a artrose, mas ele não sente a dor da artrose”, explica. Esse tipo de intervenção pode ser feito com o uso de recursos como o ultrassom, sem necessidade de muitos cortes. Já nos quadros mais graves, em que a articulação está severamente comprometida e o paciente apresenta dor intensa e limitação funcional, a recomendação pode ser a artroplastia. Trata-se da substituição da articulação danificada por uma prótese metálica, que simula o funcionamento de uma articulação saudável. “Em termos simples, a gente arranca aquele joelho que não está funcionando legal, que está ruim, que está estragado, e coloca um joelho novo de metal para substituir, para a pessoa ficar com a sua função restabelecida e sem dor”, afirma o médico.
“Do mesmo jeito que a pele enruga, o cabelo fica branco, as juntas, as articulações vão desgastando com o tempo.
Embora amplamente associada ao envelhecimento, a artrose não pode ser completamente evitada. “Infelizmente, não é possível prevenir a artrose. A doença é um sinal de desgaste. E o nosso corpo, com o tempo, naturalmente se desgasta”, explica o Dr. Maurício. Segundo ele, o surgimento precoce da condição pode estar relacionado a fatores genéticos, traumas articulares importantes ou deformidades decorrentes de lesões, que aumentam a sobrecarga sobre as articulações. “Atletas de alto rendimento, por exemplo, costumam desenvolver artrose mais cedo, justamente por conta da exigência extrema sobre o corpo”, complementa.
Apesar de não haver prevenção absoluta, o médico destaca que o equilíbrio na prática de atividades físicas pode ajudar a preservar a saúde articular ao longo da vida.
“Na verdade, uma boa atividade física, uma atividade física regular, ela tende a manter a sua musculatura mais forte, com tons mais adequados. E uma boa musculatura, em geral, protege as articulações. Então, se você tem uma boa musculatura, em geral, a sua articulação sofre menos. Ela vai ter menos desgaste. Só que existe um meio termo aí. O sedentarismo é muito ruim, mas o excesso de atividades também é muito ruim.












