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Artistas brasileiros se unem pela regulação do streaming no país

Tela mostrando aplicativos de streaming

Imagem de yousafbhutta por Pixabay

Mais de 750 profissionais assinam carta aberta em apoio ao PL 2331/22, que propõe contribuição de 6% do faturamento das plataformas para o audiovisual nacional.

Artistas e profissionais do audiovisual brasileiro assinaram uma carta aberta em apoio ao Projeto de Lei 2331/22, que busca a regulação financeira das plataformas de streaming no país. O texto, assinado por mais de 750 nomes do setor, inclui figuras renomadas como Fernanda Torres, Walter Salles e Kléber Mendonça Filho.

O documento foi endereçado ao presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva; ao presidente da câmara, Hugo Motta; à Ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann; à Ministra da Cultura, Margareth Menezes; e à secretaria nacional do audiovisual, Joelma Gonzaga.

Entre os principais pedidos da carta estão: o apoio do Poder Executivo ao PL 2331/22, a recondução da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) como relatora do projeto no plenário da Câmara, a atuação firme do Ministério da Cultura em defesa da indústria audiovisual nacional e a priorização da proposta no Congresso Nacional.

O que propõe o PL 2331/22?

Sob relatoria da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), o projeto propõe uma contribuição de 6% do faturamento das plataformas de streaming para a Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional).

Esse não é o único projeto voltado ao incentivo do mercado brasileiro: o PL 8889/2017, do relator André Figueiredo, indica que os setores invistam, no mínimo, 10% de seu faturamento bruto na contratação de direitos de obras nacionais.

Segundo a deputada federal Denise Pessôa, presidente da Comissão de Cultura, a comissão pretende se reunir com o presidente Hugo Motta para solicitar prioridade na relatoria do Plenário.
“Temos duas propostas de relatorias diferentes, e o que está com a Comissão de Cultura é o da deputada Jandira. Sabemos que os dois serão anexados e acontecerá uma relatoria de Plenário. A posição da Comissão de Cultura é de que a relatoria desses dois projetos seja de alguém que tenha compromisso com o cinema brasileiro”, disse a deputada.

O cenário do Brasil

O relatório da Streaming Global do Finder de 2021 revelou que o Brasil é o segundo maior consumidor de streaming do mundo, ficando atrás apenas da Nova Zelândia. Ao menos 65% dos adultos acessam algum serviço de streaming, superando a média global de 56%. Este alto consumo gera um lucro de aproximadamente R$ 69,7 bilhões anuais, conforme estudo divulgado pela Ancine.

Embora a demanda pelo streaming seja crescente, o cenário da regulação apresenta outra realidade. Segundo os signatários, o Brasil está atrasado em relação a outros países que já regulamentaram o setor. Enquanto o Conselho Superior do Cinema havia anteriormente proposto uma alíquota de 12%, países como Coreia do Sul, França e Itália já impõem contribuições entre 10% e 25%.

A carta alerta que a falta de regulação pode fazer o país “ser apenas um mercado consumidor, sem consolidar uma indústria nacional capaz de gerar emprego, renda e projeção internacional”.

“Também precisamos investir no cinema brasileiro, não é justo que o Brasil seja visto como cenário consumidor apenas. A gente tem produção que está sendo inclusive premiada mundialmente. Nós temos o quê mostrar e precisamos cada vez mais incentivar o cinema brasileiro”, disse Denise Pessôa em entrevista ao O Informe.

Imagem de David Peterson por Pixabay

Valorização da cultura nacional

O texto também destaca a importância do projeto para a valorização e registro da identidade do país:
“O audiovisual de um país registra a identidade em movimento de sua cultura. Conta quem nós somos, de onde viemos e nos ajuda a pensar para onde queremos ir. Constrói algo fundamental: a memória de um país.”

A carta mobilizou artistas de diversas regiões do país, reforçando a urgência da regulamentação como forma de defesa da cultura nacional. “Trata-se de garantir que a voz do Brasil continue a ser contada por brasileiros”, concluem os signatários.

O impacto da medida no Brasil

Em entrevista ao Portal O Informe, a deputada Laura Carneiro projeta que a medida traga o lucro de R$ 4 bilhões para o cinema brasileiro. Além disso, destacou o crescimento dos serviços de streaming no Brasil e o impacto da falta de regulação no país.
“As plataformas cresceram no Brasil a partir de 2012, ou seja, já são quase 14 anos. E durante todo esse tempo, trataram os produtores, autores e artistas brasileiros como se prestadores de serviço fossem. Perdemos direito autoral, direito patrimonial, direito comercial, e as plataformas levavam todo o seu lucro ao exterior”, disse Carneiro.

“Esse é o esforço: votar uma regulação do streaming que garanta um catálogo prioritário e proeminente para as obras brasileiras, que garanta um tributo correto, que tenha competências na fiscalização, e permita que essas obras possam florescer a partir dessa regulação”, finalizou Carneiro.

Confira a lista completa de assinaturas: Link

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