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Artista é absolvida após acusação de crime ambiental em Bonito

Foto: Acervo pessoal

Colombiana transformava ossadas encontradas na estrada em esculturas e teve apoio da Defensoria Pública para provar sua inocência

A artesã colombiana Diana Alexandra Palacios Reynel, radicada em Bonito (MS), foi absolvida da acusação de crime ambiental após transformar crânios e ossadas de animais silvestres encontrados às margens de rodovias em peças artísticas. O caso ganhou repercussão no final de 2024.

Após uma denúncia anônima, a Polícia Militar Ambiental (PMA) abordou a artista enquanto ela comercializava suas esculturas na praça municipal de Bonito. As peças foram apreendidas e Diana levada à delegacia, onde foi autuada com base no artigo 29 da Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) e no Decreto 6.514, que prevê multa para a venda de produtos de origem da fauna silvestre sem autorização legal.

Em 2025, o Ministério Público Federal apresentou denúncia contra a artista, alegando que a produção e comercialização de suas obras configurariam crime ambiental. A defensora pública Thaís Lazzarotto, da 2ª Defensoria Pública de Bonito, solicitou a rejeição da denúncia – e teve o pedido acolhido.
“O trabalho da Diana propõe uma reflexão sobre sustentabilidade, vida e morte na relação entre humanos e natureza. Ela nunca capturou, caçou, matou ou encomendou a morte de qualquer animal. Sua arte não explora a fauna, mas sim a estética, a cultura e a consciência ambiental”, afirmou Lazzarotto.

O juiz acolheu o pedido da Defensoria Pública e decidiu pelo arquivamento do processo, considerando que a conduta da artista “é irrelevante para o direito penal”. Na decisão, o magistrado destacou que a legislação ambiental tem como objetivo coibir práticas predatórias contra a fauna – o que não se aplica à transformação artística de restos de animais já encontrados mortos.

Reconhecida na cidade pelo seu trabalho, Diana já havia participado de eventos promovidos pelo Poder Público, onde exibiu suas esculturas. Aliviada com a decisão da Justiça, ela relembrou os momentos difíceis vividos desde a abordagem. “Foi horrível”, desabafou.

Antes da acusação, Diana vivia exclusivamente da venda de suas esculturas. Ela conta que enfrentou preconceito e julgamentos até que a Justiça reconhecesse sua inocência. “Essa absolvição não apaga a dor vivida, mas a nomeia: transforma-a em dignidade recuperada. Significa respirar sem o peso injusto de uma acusação, caminhar sem o estigma de um erro. Posso voltar a olhar o mundo de cabeça erguida, sabendo que resisti, que não me ‘quebrei’, e que agora minha história pode servir para que outras não sejam silenciadas”, declarou.

A defensora pública Thaís Lazzarotto reforça que a atividade desenvolvida por Diana não representa ameaça à fauna. “Pelo contrário, sua conduta contribui para a conscientização ambiental e o reaproveitamento de resíduos biológicos que, de outra forma, seriam descartados”, afirma. Segundo ela, o crime anteriormente imputado à artista não se aplica ao caso, já que a tipificação legal tem como objetivo “coibir práticas como tráfico de animais, caça ilegal e exploração comercial predatória” – o que não se verifica na manifestação artística de Diana.

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