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Aretha Duarte lidera expedição ao Kilimanjaro em imersão cultural e conexão com ancestralidade

Montanhista brasileira lidera grupo ao topo da montanha mais alta da África e promove experiência de conexão cultural e ancestralidade

Entre os dias 31 de agosto e 8 de setembro, a montanhista Aretha Duarte, primeira mulher negra latino-americana a chegar ao topo do Everest, esteve no Monte Kilimanjaro, na Tanzânia, a montanha mais alta da África, com 5.895 metros de altitude. Acompanhada por um grupo de brasileiros organizado pela operadora Grade6, Aretha viveu mais do que uma conquista esportiva: promoveu uma experiência de imersão cultural e conexão com suas raízes.

“Volto do Kilimanjaro cheia de alegria, esperança e gratidão. Quando subo o Kilimanjaro, não estou escalando apenas uma montanha, estou ouvindo histórias. E não foi somente o som do vento e do gelo, mas a voz de mais de 120 tribos que vivem ao redor da montanha. Cada dialeto é uma parte da cultura e da identidade que compõem os povos. Me sinto pertencente àquele país. Me sinto empoderada, honrada, grata e orgulhosa”, contou Aretha.

A expedição reuniu seis brasileiros, quatro mulheres e dois homens, além de cerca de 18 colaboradores locais. A equipe contou com guias, carregadores e cozinheiros tanzanianos, que compartilharam não apenas o trabalho, mas também música, dança e costumes de diferentes tribos da região.

Segundo a montanhista, escalar o Kilimanjaro tem um significado simbólico especial “É uma oportunidade de conhecer mais sobre o continente africano e me conectar com minha ancestralidade” destacou.

Aretha já havia conduzido, em 2024, uma expedição ao Kilimanjaro formada exclusivamente por pessoas negras, em alusão ao Mês da Consciência Negra. O projeto foi patrocinado por sua própria empresa de gestão de projetos sociais e pela Moove Lubrificantes.

Preparação e desafios

Apesar de sua imponência, o Kilimanjaro é considerado tecnicamente acessível para montanhistas “Não há necessidade de conhecimento em escalada em rocha, mas é essencial ter bom condicionamento físico e resistência para longas caminhadas em altitude” explicou Aretha.

A preparação, segundo ela, deve começar de cinco a seis meses antes da expedição, com treinos físicos regulares, atenção à documentação (passaporte, visto, certificados de vacinação) e escolha correta de equipamentos.

A jornada ao topo começa com dois dias de adaptação em Arusha, antes da entrada no Parque Nacional do Kilimanjaro. “Cada dia é diferente: passamos por floresta, savana, formações rochosas e até paisagens desérticas. O maior desafio é o ar rarefeito. Desta vez, escolhemos a rota Lemosho”, contou.

Para Aretha, os maiores ensinamentos vêm da troca cultural. “Os ensinamentos do Kilimanjaro estão na diversidade. Dentro do staff local tivemos pessoas de diferentes tribos da Tanzânia, cada uma com seu dialeto e costumes, mas para se comunicarem conosco todos falavam swahili. Esta experiência é inspiradora “, afirmou.

Aretha Duarte no Kilimanjaro, no norte da Tanzânia. Crédito: Arquivo pessoal

Trajetória de impacto e inspiração

Conhecida como a primeira mulher negra latino-americana a escalar o Everest, Aretha Duarte nasceu na periferia de Campinas (SP) e transformou sua trajetória em símbolo de resiliência, propósito e impacto social. Para custear sua expedição ao Everest, ela recolheu cerca de 130 toneladas de materiais recicláveis, experiência que hoje inspira milhares de pessoas.

Formada em Educação Física, Aretha vai além das expedições de alta montanha. Ela ministra palestras corporativas de impacto social, sustentabilidade na prática, liderança com propósito e engajamento humano em eventos como a SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho).

Aretha é embaixadora da Veolia Brasil, da North Face Brasil e de projetos como Favela Radical, Outward Bound Brasil e Pés Livres, este último voltado para mulheres e crianças na Tanzânia. Ela também participa ativamente de campanhas publicitárias e da produção de conteúdo para promover inclusão, diversidade e transformação social.

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