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Apoiadores de Bolsonaro se reúnem na Avenida Paulista

Bolsonaristas se concentram próximo ao Masp, pedindo anistia e criticando Moraes e Lula

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro participaram, neste domingo (3), de um ato em defesa do ex-mandatário e dos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, que resultaram na depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília.

Além da capital paulista, mais de 60 cidades brasileiras registraram manifestações semelhantes. A organização do evento em São Paulo ficou a cargo do pastor Silas Malafaia, da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

As críticas ao Supremo Tribunal Federal, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, principalmente, ao ministro Alexandre de Moraes, foram constantes durante o ato. Gritos como “Fora, Moraes” eram entoados por manifestantes ao longo da avenida.

Entre as pautas reivindicadas estavam a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, liberdade de expressão e o impeachment de Moraes. Malafaia afirmou que o ministro “rasga a Constituição”, citando o artigo 220, que trata da liberdade de expressão e veda a censura.

Participaram do ato líderes do PL, como Valdemar Costa Neto (presidente do partido), os deputados federais Marco Feliciano (SP), Paulo Bilynskyj (SP), Nikolas Ferreira (MG) e Sóstenes Cavalcante (RJ), líder da legenda na Câmara, além do vereador Lucas Pavanato (PL-SP) e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).

Lideranças importantes, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não compareceram. Segundo sua assessoria, ele se recupera de problemas de saúde. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro esteve presente em um ato simultâneo em Belém (PA). A maioria dos discursos foi feita por parlamentares do PL.

Jair Bolsonaro não participou do evento devido às medidas cautelares impostas pelo STF, determinadas por Alexandre de Moraes e referendadas pelo plenário da corte. O ex-presidente é monitorado por tornozeleira eletrônica e está proibido de sair de casa à noite e nos fins de semana.

Bandeiras e símbolos estrangeiros

Ao longo do trajeto de três quarteirões, faixas criticando o STF e parlamentares como Hugo Motta e Rodrigo Pacheco eram exibidas. Havia ainda cartazes em apoio ao presidente Donald Trump e diversas bandeiras dos Estados Unidos e de Israel.

Edilaine Gabriel, vendedora autônoma da zona leste de São Paulo, afirmou estar otimista com as vendas de bandeiras, camisetas e bonés. Os preços variavam entre R$ 70 e R$ 80 no caso das bandeiras, e de R$ 35 a R$ 60 para camisetas.

“É a primeira vez que exponho meus produtos num ato. Tenho boas expectativas”, disse.

Público estimado

O pico de público foi registrado às 15h30. Segundo estimativa do Monitor do Debate Político do Cebrap, em parceria com a ONG More in Common, com base em imagens de drones, cerca de 37,6 mil pessoas participaram do evento. Considerando a margem de erro de 12%, a estimativa varia de 33,1 mil a 42,1 mil manifestantes.

Na manifestação anterior, em junho, o mesmo grupo contabilizou 12,4 mil pessoas.

A metodologia empregada foi o sistema Point to Point Network (P2PNet), desenvolvido na China em parceria com a Tencent. As imagens foram capturadas por drones em quatro horários diferentes (14h12, 14h55, 15h15 e 15h33), totalizando 62 fotos. O programa identifica e contabiliza automaticamente as cabeças dos participantes com o auxílio de inteligência artificial. A margem de erro médio do sistema, em imagens com mais de 500 pessoas, é de 12%.

Declarações de manifestantes

Wilson Bernardo, vendedor autônomo de carros e morador da Baixada Santista, envolvido em uma bandeira que unia os símbolos do Brasil e de Israel, afirmou que sua presença no ato se devia à “luta pela democracia”.

“Essa ditadura do Careca [Alexandre de Moraes] não deixa o povo falar. O Brasil está virando uma ditadura, e muita gente ainda não percebeu isso”, disse.

Já Afonso Lobo, servidor público aposentado, 70, declarou apoio ao ex-presidente Donald Trump e às tarifas impostas ao Brasil, apesar de a balança comercial beneficiar os americanos.

“O tarifaço é um remédio amargo, mas necessário”, afirmou.

Lobo também defendeu a anistia aos presos pelos atos do 8 de janeiro e disse reconhecer nos Estados Unidos o único país que, em sua visão, “enxerga a juristocracia instalada no Brasil”.

Dois eventos, um dia simbólico

Em Brasília, o PT realizou o terceiro e último dia de seu 17º Encontro Nacional. Como estratégia de comunicação, o partido usou as cores da bandeira nacional, frequentemente associadas ao bolsonarismo, junto ao vermelho tradicional da legenda, em resposta à imposição de tarifas pelo governo dos EUA, que passaram a vigorar na sexta (1º).

O governo Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, concentraram esforços em responder politicamente ao “tarifaço”, reforçando discursos sobre a defesa da soberania nacional e da agenda econômica.

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