Problema respiratório está ligado a doenças cardiovasculares e preocupa especialistas da saúde pública
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A apneia do sono deixou de ser um tema restrito a consultórios médicos e hoje é tratada como questão de saúde pública no Brasil. Estimativas da Associação Brasileira do Sono (ABS) indicam que cerca de 30% dos adultos convivem com algum grau do distúrbio, caracterizado por pausas repetidas na respiração durante a noite.
Mais do que ronco intenso, o problema aumenta o risco de hipertensão, infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e até acidentes de trânsito, já que os episódios noturnos resultam em sono fragmentado e cansaço excessivo durante o dia.
“Muitos pacientes não percebem o problema. Quem geralmente chama atenção são os familiares, que observam as pausas na respiração. Mas o impacto pode ser grave, principalmente para o coração”, explica o pneumologista Sérgio Tufik, professor da Unifesp e referência internacional no estudo do sono.

A apnéia do sono, se não tratada, pode reduzir a expectativa de vida em 10 anos. Foto: Rinoclínica
Sintomas e sinais de alerta
Entre os principais sintomas, especialistas destacam:
- Ronco alto e frequente.
- Pausas respiratórias seguidas de engasgos.
- Sonolência diurna excessiva.
- Dificuldades de concentração e memória.
- Mudanças de humor, como irritabilidade e depressão.
Segundo a American Academy of Sleep Medicine, a apneia não tratada pode reduzir a expectativa de vida em até 10 anos.
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Figura mostra como a apnéia do sono ocorre Foto: Divulgação
Fatores de risco
Embora possa atingir qualquer faixa etária, a apneia é mais comum em pessoas com:
- Obesidade, considerada o principal fator de risco.
- Idade acima dos 40 anos.
- Histórico familiar.
- Alterações anatômicas (como desvio de septo e aumento de amígdalas).
- Uso frequente de álcool ou tabaco.
- Mulheres na menopausa, em razão de mudanças hormonais.
“O excesso de peso aumenta significativamente as chances de apneia. O controle da obesidade poderia reduzir o número de casos no país”, afirma o cardiologista Fernando Drager, da Faculdade de Medicina da USP.
Impacto na saúde pública
O custo social e econômico do distúrbio também chama atenção. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Pneumologia aponta que pacientes não tratados têm até três vezes mais chances de sofrer AVC. Além disso, há impacto no trânsito e no ambiente de trabalho: a sonolência diurna eleva os riscos de acidentes.
Estudos internacionais, como os publicados na revista Chest Journal, reforçam a gravidade. “Cada noite mal dormida acumula estresse cardiovascular, aumentando progressivamente o risco de eventos fatais”, explica Drager.
Diagnóstico e tratamento
O exame mais utilizado para diagnosticar a apneia é a polissonografia, que avalia respiração, batimentos cardíacos e oxigenação durante o sono.
O tratamento depende da gravidade do caso:
- Medidas comportamentais, como emagrecimento e prática de exercícios, nos quadros leves.
- CPAP, aparelho que mantém as vias aéreas abertas, para casos moderados e graves.
- Cirurgias, em situações específicas de obstruções anatômicas.
De acordo com a ABS, o uso contínuo do CPAP reduz em até 70% os riscos cardiovasculares associados ao distúrbio.

O CPAP é um dos tratamentos para a Apnéia do sono foto: cherrybeans
Conscientização e diagnóstico precoce
Apesar da alta prevalência, especialistas afirmam que a apneia ainda é subdiagnosticada no Brasil. Um dos motivos é a falta de acesso a exames de polissonografia na rede pública.
Campanhas de conscientização, segundo médicos, são fundamentais para que os brasileiros levem o ronco a sério e procurem atendimento médico diante de sinais de alerta.
“Não é apenas uma questão de qualidade de sono, mas de sobrevivência. A apneia do sono pode matar silenciosamente”, alerta Tufik.
A apneia do sono é um distúrbio de alta prevalência e graves consequências, que exige atenção de médicos, pacientes e gestores de saúde. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem reduzir riscos, melhorar a qualidade de vida e evitar custos maiores para o sistema de saúde.
saiba mais: Associação Brasileira do Sono e Associação Americana do Sono (Em Inglês)












