Especialistas destacam que validar emoções e oferecer acolhimento faz toda a diferença no bem-estar da gestante e do bebê
Frases como “relaxa, é normal” ou “é só hormônio” podem parecer inofensivas, mas para muitas gestantes soam como um apagamento daquilo que realmente estão vivendo. Especialistas alertam que a ansiedade na gravidez é mais comum do que se imagina: de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10% das mulheres enfrentam transtornos de ansiedade durante a gestação, e esse número pode ser ainda maior diante das mudanças hormonais, do medo do parto e das incertezas que cercam a maternidade. A falta de preparo de familiares, amigos e até profissionais de saúde para lidar com essas emoções contribui para a repetição de frases prontas que, em vez de ajudar, podem agravar os sintomas.
A gestação é uma fase delicada, marcada por um turbilhão de emoções, expectativas, medos e sonhos. O corpo e a mente passam por mudanças físicas e hormonais intensas, e a chegada de um bebê — planejada e muito aguardada — desperta tanto alegria quanto preocupações legítimas. Assim, é natural que as emoções estejam mais sensíveis e afloradas nesse período.
A ansiedade durante a gravidez é mais comum do que se imagina. Medo do parto, incertezas sobre a maternidade e preocupações com o bebê tornam a gestante mais vulnerável. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10% das gestantes no mundo apresentam transtornos de ansiedade, e, devido à carga emocional do período, esse número pode ser ainda maior. Para a American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG, 2021), fatores como oscilação hormonal, mudanças na vida pessoal e profissional, incerteza sobre o parto e sobre a maternidade são apontados como principais gatilhos para o surgimento da ansiedade.

Cada gestação é única, e cada mulher vivencia a ansiedade de forma diferente. Estima-se que cerca de 20% das gestantes apresentam algum tipo de quadro emocional durante a gravidez, e aproximadamente 30% enfrentam problemas significativos de ansiedade. Muitas vezes, o diagnóstico não ocorre devido ao preconceito e ao medo do julgamento social.
Os sintomas podem se manifestar de diferentes maneiras, algumas vezes sem sinais evidentes: preocupação intensa com o bem-estar do bebê; desconforto estomacal sem causa física; dificuldade para dormir, mesmo estando cansada; aumento do ritmo cardíaco em situações de estresse; e pensamentos repetitivos e inquietantes. Se não tratados, esses sintomas podem afetar tanto a saúde da mãe quanto a do bebê.
O problema é agravado quando familiares, amigos ou até profissionais de saúde fazem comentários que invalidam a experiência da gestante. A psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, professora-doutora e fundadora do Instituto Mater Online, explica: “Quando a mulher ouve comentários como ‘relaxa, é normal’, se sente sozinha e ainda mais ansiosa”.

Segundo Rafaela, a Psicologia Perinatal ocupa apenas 2% da grade de formação em Psicologia no Brasil, o que faz com que muitos profissionais não estejam preparados para lidar com as especificidades emocionais da gestação. Isso favorece a repetição de frases prontas e pouco empáticas, como:
- “Relaxa, é normal”
- “Pensa positivo”
- “Outras mães passam por isso”
- “Vai passar depois do parto”
- “É só hormônio”
Essas expressões transmitem a ideia de que a gestante não deveria sentir o que sente — quando, na verdade, suas reações são legítimas.
Como oferecer apoio real
Apoiar uma gestante ansiosa exige escuta ativa, presença e acolhimento. Rafaela destaca cinco formas eficazes de suporte:
- Validação: reconhecer que os sentimentos da gestante são reais e importantes.
- Parceria: reforçar que ela não está sozinha nesse processo.
- Psicoeducação: explicar as mudanças físicas e emocionais típicas da gestação.
- Ferramentas específicas: utilizar técnicas adaptadas para ansiedade gestacional, diferentes da terapia convencional.
- Ressignificação: mostrar que cuidar da própria saúde mental é também cuidar do bebê.
O impacto do apoio adequado é profundo. “Quando a mulher se sente compreendida, ela se fortalece para lidar com as emoções. Isso influencia diretamente o bem-estar dela, o desenvolvimento do bebê e a qualidade dos vínculos familiares. Uma mãe mentalmente saudável gera um bebê mais saudável, uma família mais forte e uma sociedade melhor”, conclui Rafaela Schiavo.

Para compreender melhor esse desafio, conversamos com duas jovens paraibanas que vivem realidades marcadas pela maternidade precoce. Larissa Raniele, 26 anos, grávida de 35 semanas e moradora de Bayeux (PB), e Maria Clara Medeiros, 18 anos, mãe de uma bebê de 6 meses em Remígio (PB), compartilharam suas experiências com sinceridade e emoção.
👉 Confira a entrevista completa no link abaixo!
https://docs.google.com/document/d/1Fwj1REdM41qsrrsWKmrphGRGj-eVEEX2D5sLkALmF4c/edit?usp=sharing
A gravidez é um período de grandes transformações, e junto com a expectativa da chegada do bebê podem surgir sentimentos de medo, insegurança e ansiedade. Para entender melhor esse processo e derrubar frases e atitudes que, mesmo bem-intencionadas, acabam machucando, conversamos com a psicóloga perinatal Ana Rosa.
👉 Confira a entrevista completa e saiba como oferecer apoio acolhedor às gestantes.
https://docs.google.com/document/d/1MuX4C_45s4rZU4l3Q3IGVgItUgrf3EGDCrTVwEtrlGE/edit?usp=sharing
Fontes:
Nilda Psicologia Online. Ansiedade na gravidez: por que acontece e como aliviar esse sentimento. Disponível em: https://nilda-psicologiaonline.com.br/ansiedade-na-gravidez-por-que-acontece-e-como-aliviar-esse-sentimento/ (acesso em: 30 set. 2025).
Redação Pais e Filhos. Ansiedade na gravidez: como reconhecer os sinais e o que realmente pode ajudar. Bebe.com.br, 6 set. 2025. Disponível em: https://bebe.abril.com.br/saude/ansiedade-na-gravidez-como-reconhecer-os-sinais-e-o-que-realmente-pode-ajudar/. Acesso em: [30 set. 2025].












