Um thriller brasileiro premiado que mistura mistério, política e emoção rumo ao Oscar
O novo filme de Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto, ainda nem estreou e já é o escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil no Oscar. O longa já ganhou diversos prêmios em festivais internacionais como no Festival de Cannes, com os prêmios de Interpretação Masculina para Wagner Moura e Melhor Diretor para Kleber Mendonça Filho, além do Prêmio FIPRESCI da competição oficial e o Prix des Cinémas d’Art et Essai, concedido pela Associação Francesa de Cinemas de Arte (AFCAE).
O filme desbancou filmes como “Baby”, de Marcelo Caetano; “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro; “Kasa Branca”, de Luciano Vidigal; “Oeste Outra Vez”, de Erico Rassi. Porém, a corrida ficou mais acirrada contra o filme “Manas”, de Marianna Brennand.
A revista Variety, revista especializada no mercado de cinema e entretenimento americano, descreveu em uma análise, o filme como sendo um “thriller fantástico dos anos 70” e aposta que o filme chegará forte na campanha do Oscar, e poderá ser indicado nas categorias Melhor Filme e Melhor Filme Internacional, além da indicação de Wagner Moura na Categoria de Melhor Ator, a revista ainda dá favoritismo a Wagner Moura na corrida pela estatueta. A Revista ainda dá a possibilidade de Kleber Mendonça Filho, conseguir uma indicação para o prêmio de Melhor Diretor.

O Agente Secreto e as considerações
O Agente Secreto se passa em 1977, no período ditatorial brasileiro e conta a história de Marcelo, um professor universitário que está se refugiando em Recife, para fugir de seu passado misterioso. A volta para a sua cidade natal acaba não estando tão em paz como ele esperava. O filme é realmente um thriller que te faz pensar demais e refletir como foi viver neste período conturbado da nossa história.
Por mais que o filme esteja passando no período da ditadura, ele não deixa isso muito a vista, porém através de sutilezas, como os quadros nos prédios públicos ou em frases ditas entrelinhas.
A dinâmica do filme é bem visceral realista, mostra desde a corrupção no sistema policial da época até a influência de empresas no setor educacional público. Um dos pontos altos de todo filme é a representação do Recife antigo, que deixa o público totalmente imerso na história e a vivência do Marcelo, outro ponto primordial são as conversas entre os protagonistas, em especial as conversas entre Marcelo e Sebastiana, interpretada pela brilhante Tania Maria.
E por falar de Tania Maria, ela é um frescor em todo o filme, quando o filme começa a pesar, vem sempre uma cena que é brilhantemente interpretada por Tânia, nos bastidores do longa, a equipe diz que por eles Tania deveria ser indicada à Melhor Atriz Coadjuvante, por seu papel.

O filme trata de assuntos diversos de forma criativa e surpreendente, como o sensacionalismo que acontecia em jornais locais, o apagamento de pessoas em registros públicos, a desumanização de pessoas carentes, a desconstrução de monumentos históricos, como o cinema São Luiz, entre outros.
O filme apresenta uma premissa bem elaborada e claramente definida em sua proposta: retratar a realidade vivida por muitos durante a ditadura militar. A principal crítica recai sobre o desfecho da obra, as últimas cenas de Marcelo acontecem de forma muito rápida, deixando no ar um gostinho de “quero mais” e a sensação de que faltou uma resolução mais completa para a problemática desenvolvida. O longa termina de maneira abrupta.
O Agente Secreto será lançado dia 06 de novembro e vale muito a pena assisti-lo.












