‘Superclássico’ em 2012 / Foto: Alfredo Herms
A Liga Profesional de Fútbol da Argentina volta a receber torcidas visitantes depois de 12 anos de punição.
Após o triste episódio da morte do torcedor do Lanús, Daniel Jerez, em 2013, no conflito entre policiais e torcedores do Granate depois de uma partida contra o Estudiantes, o futebol argentino passou a proibir a presença de público visitante nos jogos do campeonato da primeira divisão. Uma década depois, o presidente da Asociación del Fútbol Argentino (AFA), Claudio Tapia, anunciou o retorno do público adversário como um novo começo da Liga Argentina.
“Acho que é o começo do retorno da torcida visitante, é o começo para os clubes que podem e estão em condições de receber e querem receber a torcida visitante […] É o começo de muito trabalho que temos pela frente. Este é um começo para a liga profissional”. – declarou o representante da AFA.
Com público gradual, o teste para o retorno do setor visitante ocorreu no último sábado (19) com duas partidas históricas deste recomeço. O jogo entre Lanús e Rosario Central, no Estádio La Fortaleza. Vale destacar que o duelo também marcou o segundo jogo da estrela rosarina, Ángel Di María, que converteu um gol de pênalti contra a equipe grená. Foram destinados 6.500 ingressos para os canallas. Mais tarde, ocorreu o confronto entre Instituto e River Plate, no Estadio Presidente Perón. Os Millonarios levaram a melhor com um placar de 4 a 0.

A cultura do futebol sul-americano é muito repercutida pelo mundo. Com grandes festas e músicas virais das torcidas, as que mais se destacam são da própria Argentina. Restringir o contato de dois ritmos nos estádios acaba com a essência do futebol e afasta do esporte aqueles que sempre quiseram ou participaram de grandes clássicos argentinos, como o Superclássico (River Plate X Boca Juniors), o Dérbi de Rosário (Rosario Central X Newell’s Old Boys), o Dérbi de La Plata (Estudiantes de Plata X Gimnasia y Esgrima de La Plata), entre outros confrontos históricos.
Contudo, há motivos para essas proibições nos encontros de clássicos ou partidas pelo campeonato. Além do Brasil, o qual constantemente recebe punições por conta das brigas de torcidas rivais ou tensões contra a força pública, a Argentina e os times da região foram atingidos pela suspensão de torcidas visitantes nos estádios. A violência bruta é o principal motivo que as mais altas entidades do futebol começam a impor restrições em um lugar que o espírito esportivo não deveria ser sequelado por indivíduos que vão além da paixão – se ainda for considerado um sentimento de paixão.
O futebol argentino reencontra sua identidade e agora explora o comportamento dos seus torcedores dos diversos times que participam da liga, com o objetivo de respeitar os dois lados das torcidas que desejam desfrutar das mais diversas vitórias e festas nas arquibancadas.












