Foto: Divulgação/ Way Assessoria de Comunicação
Com o avanço do e-commerce, da automação e da inteligência artificial, a logística se consolida como um dos setores que mais geram oportunidades e inovação no Brasil
A logística vive uma das maiores transformações da história. Deixou de ser apenas um elo operacional para se tornar um dos pilares estratégicos das empresas modernas. Num cenário global marcado pela digitalização, pela expansão do e-commerce e pela busca incessante por eficiência, o setor tornou-se essencial para a economia e para o dia a dia das pessoas.
No Brasil, esse movimento tem se intensificado nos últimos anos. De acordo com a Associação Brasileira de Logística (Abralog), o segmento representa cerca de 12% do PIB nacional e emprega diretamente mais de dois milhões de pessoas. Apenas entre 2020 e 2024, o número de vagas abertas no setor cresceu aproximadamente 38%, impulsionado pela necessidade de modernização e pela adaptação das empresas ao comportamento digital do consumidor.
Segundo Augusto Ghiraldello, CCO, CMO e cofundador da Invent, empresa brasileira especializada em soluções automatizadas para movimentação de materiais, o futuro da logística será cada vez mais tecnológico e orientado por dados. Ele explica que, nos próximos anos, veremos decisões sendo tomadas em tempo real por meio de sistemas integrados, enquanto os profissionais precisarão dominar tecnologia, análise e planejamento para crescer na carreira.

A automação e a inteligência artificial estão redefinindo o papel de quem trabalha na área. Processos que antes exigiam grande esforço físico ou tarefas repetitivas estão sendo automatizados, enquanto funções ligadas à gestão, à análise de dados e ao planejamento ganham destaque. A transição já é uma realidade em empresas que operam com centros de distribuição digitalizados e cadeias de suprimentos inteligentes.
Entre as profissões que mais crescem no setor está o gerente de logística. Esse profissional passou a desempenhar um papel estratégico, liderando equipes multidisciplinares, acompanhando indicadores de desempenho e transformando informações em decisões que impactam diretamente custos, prazos e satisfação do cliente.
Outro cargo em expansão é o de gerente de planejamento logístico. Em um ambiente de constantes mudanças e incertezas, ele atua no equilíbrio entre previsibilidade e flexibilidade. Cabe a esse profissional garantir que estoques, transportes e rotas estejam alinhados à demanda, utilizando ferramentas de análise e softwares preditivos que ajudam a antecipar gargalos e reduzir desperdícios.
O analista de logística também se tornou peça central nas empresas. A função, antes focada em controle e acompanhamento de cargas, hoje exige habilidades em leitura de dados, interpretação de métricas e uso de sistemas inteligentes como ERP, WMS e TMS. Esse profissional conecta as diferentes etapas da operação e tem papel decisivo na tomada de decisões rápidas e assertivas.
O gerente de supply chain, por sua vez, é responsável por coordenar toda a cadeia de suprimentos, desde o fornecedor até o consumidor final. Seu trabalho envolve tecnologia, sustentabilidade, compliance e visão global. Esse profissional deve atuar de forma integrada com as áreas financeira, comercial e de ESG, garantindo que a empresa funcione de maneira eficiente e responsável.
Com a explosão das compras online, o especialista em e-commerce logístico e o analista de transporte se tornaram fundamentais para o sucesso das empresas. Eles cuidam da etapa final da entrega, conhecida como last mile, que representa quase metade do custo logístico total, segundo a consultoria McKinsey & Company. Esses profissionais trabalham para otimizar rotas, reduzir custos e garantir que a entrega chegue ao cliente no menor tempo possível, sem comprometer a qualidade.
De acordo com o relatório Future of Logistics 2030, publicado pela DHL Global Forwarding, até o final da década mais de 70% das operações logísticas serão totalmente digitalizadas e cerca de 30% das decisões operacionais serão realizadas por sistemas de inteligência artificial. Isso demonstra que a tecnologia não eliminará postos de trabalho, mas criará novas funções mais analíticas, estratégicas e colaborativas.
Para Augusto Ghiraldello, a tecnologia não substitui o profissional de logística, e sim amplia seu alcance. Ele afirma que o papel humano será cada vez mais essencial na integração de processos e na interpretação de dados complexos. O desafio está em unir tecnologia e sensibilidade, tornando o profissional capaz de pensar estrategicamente em cadeias de suprimentos cada vez mais interdependentes e sustentáveis.
A sustentabilidade, aliás, é outro pilar que impulsiona as mudanças no setor. As empresas têm repensado seus processos para reduzir emissões de carbono, adotar veículos elétricos, otimizar embalagens e implementar políticas de logística reversa. Essa preocupação ambiental transformou-se em vantagem competitiva e requisito de mercado, impulsionando o surgimento da chamada logística verde.
O avanço da chamada logística 5.0 reflete essa combinação entre automação e humanização. O novo modelo privilegia o uso de tecnologias inteligentes sem abrir mão da criatividade, da empatia e da capacidade humana de resolver problemas. O futuro da área depende de profissionais que saibam dialogar com máquinas, mas que também compreendam o impacto social e ambiental de cada decisão.
Mais do que um campo técnico, a logística tornou-se um ecossistema de inovação, colaboração e propósito. Cada entrega, cada rota otimizada e cada decisão de planejamento refletem uma cadeia de inteligência que conecta empresas, pessoas e tecnologias em tempo real.
O setor seguirá crescendo nos próximos anos e se consolidará como um dos pilares da economia digital. Em um mundo cada vez mais rápido e exigente, o sucesso das empresas dependerá da capacidade de seus profissionais em combinar eficiência, tecnologia e visão humana. A nova era da logística não é apenas sobre transporte de produtos, mas sobre movimentar ideias, soluções e o futuro.












