A idade ideal envolve fatores emocionais, pedagógicos e de saúde. Pais devem avaliar maturidade, tempo de tela e o tipo de conteúdo oferecido
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Dar um videogame de presente para uma criança é desejo comum em muitos lares brasileiros. Consoles modernos fazem parte da cultura de entretenimento, mas especialistas alertam que a decisão exige cuidado. Não há idade “oficial” para a primeira experiência com jogos eletrônicos, mas médicos, psicólogos e educadores apontam recomendações importantes.
Videogames cada vez mais presentes na infância
De acordo com dados da Pesquisa Game Brasil 2025, cerca de 82% das crianças entre 4 e 12 anos têm algum contato com jogos eletrônicos, seja em consoles, celulares ou computadores. O cenário é reflexo de um mercado em expansão e de uma cultura cada vez mais digitalizada.
Especialistas ressaltam que o videogame, quando utilizado de forma equilibrada, pode estimular a criatividade, a coordenação motora e até a aprendizagem. No entanto, o excesso de tempo de tela preocupa profissionais da saúde.

foto: O videogame se bem usado, pode estimula a coordenação e a criatividade / pexels
O que dizem os pediatras
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que crianças com menos de 2 anos não tenham contato com telas digitais. Entre 2 e 5 anos, o tempo deve ser limitado a uma hora por dia. A partir dos 6 anos, a orientação é que o uso seja moderado, com pausas regulares.
Segundo a pediatra Mariana Gama,a idade ideal para jogar jogos eletrônicos dever ser a partir dos 6 ou 7 anos, desde que supervisionados pelos pais. “O videogame não é apenas lazer, é também uma forma de interação social. Mas o acompanhamento adulto é fundamental para evitar conteúdos inadequados e excesso de horas jogadas”, explica.
Saiba Mais: Sociedade Brasileira de Pediatria
Psicólogos alertam para impacto emocional
Psicólogos infantis destacam que o videogame não deve ser um substituto de brincadeiras físicas ou da interação com outras crianças. O psicólogo Daniel Moreira observa que a idade certa depende também da maturidade da criança.
“Alguns pais oferecem consoles aos 5 anos, outros esperam até os 10. O importante é avaliar se a criança já entende regras, limites e consequências”, afirma.
Além disso, o uso excessivo pode estar associado a dificuldades de concentração, distúrbios do sono e até isolamento social.

Foto: Instituto do Sono
Saiba mais: Instituto do Sono
O papel dos pais na escolha dos jogos
Mais importante do que a idade é a seleção adequada dos jogos. Os títulos possuem classificação indicativa definida pelo Ministério da Justiça, que orienta pais sobre a faixa etária recomendada. Jogos com violência explícita, linguagem imprópria ou conteúdo sexual não são recomendados para crianças pequenas.
A pedagoga Renata Souza destaca que os pais devem participar da escolha. “Existem jogos educativos que estimulam o raciocínio lógico, a leitura e até o aprendizado de línguas. Com acompanhamento, o videogame pode ser uma ferramenta positiva”, explica.

Foto: Família jogando videogame juntos.
Tempo de tela e rotina equilibrada
Outro ponto de atenção é o tempo dedicado ao videogame. Especialistas recomendam que o console não substitua atividades físicas, leitura ou convivência em família.
Estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) sugerem que crianças entre 6 e 12 anos pratiquem ao menos uma hora de atividade física diária. Limitar o tempo de tela ajuda a evitar sedentarismo e problemas de postura.
O consenso: equilíbrio é a chave
Não existe idade única e ideal para introduzir o videogame na vida de uma criança. A decisão varia conforme a maturidade, a rotina e a orientação familiar. O consenso entre especialistas é que a introdução deve ocorrer a partir dos 6 anos, com acompanhamento próximo dos pais.
Dar um videogame pode ser uma ótima forma de lazer e até aprendizado, desde que seja apenas uma das várias atividades do dia a dia da criança.












