Exame desenvolvido pela Fiocruz substitui gradualmente o Papanicolaou e amplia a detecção precoce da doença até 2026
Foto: João Risi/Ministério da Saúde
Nova Expectativa
O SUS iniciou a detecção precoce do câncer do colo do útero com o teste DNA-HPV, uma tecnologia inovadora desenvolvida pela Fiocruz que promete revolucionar a prevenção da doença no Brasil. Mais preciso do que o exame de Papanicolaou, o novo método identifica a presença do vírus HPV de alto risco antes do surgimento de lesões malignas, permitindo maior eficácia no rastreamento e reduzindo a mortalidade feminina. A implementação começa em 2025 e será expandida para todo o país até 2026, beneficiando milhões de mulheres entre 25 e 64 anos.
O que é o câncer do colo do útero?
O câncer do colo do útero é o terceiro tipo mais frequente entre mulheres brasileiras, com estimativa de cerca de 17 mil novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A doença é causada principalmente pela infecção persistente de tipos oncogênicos do vírus HPV. Muitas vezes, apresenta evolução silenciosa, sendo identificado apenas em estágios avançados — daí a importância da detecção precoce.

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Como funciona o teste DNA-HPV no SUS?
O teste DNA-HPV é um exame molecular que identifica o DNA de 14 tipos de HPV de alto risco, com maior sensibilidade do que o Papanicolaou. Enquanto o exame citológico depende da análise de células já alteradas, o novo teste consegue detectar a infecção antes mesmo da formação de lesões malignas.
Entre os principais benefícios estão:
- Maior precisão na identificação de infecções por HPV de alto risco.
- Intervalo de cinco anos entre exames, quando o resultado é negativo.
- Menos procedimentos desnecessários, reduzindo custos ao sistema público de saúde.
- Possibilidade de autocoleta, ampliando o acesso e acolhimento às mulheres.
Implementação do teste DNA-HPV no Brasil
O Ministério da Saúde anunciou que o exame será incorporado de forma gradual ao SUS. Em 2025, começa em um município por estado nos seguintes locais:
Rio de Janeiro
São Paulo
Minas Gerais
Ceará
Bahia
Pará
Rondônia
Goiás
Rio Grande do Sul
Paraná
Pernambuco
Distrito Federal.
Até o fim de 2026, a expectativa é que o DNA-HPV esteja disponível em todo o território nacional, alcançando aproximadamente 7 milhões de mulheres por ano. O Papanicolaou continuará sendo usado como exame complementar em casos positivos.
Benefícios da tecnologia para a saúde da mulher
A incorporação do teste DNA-HPV ao SUS representa um marco para a saúde da mulher no Brasil. Além de aumentar a chance de cura por meio da detecção precoce, o exame reduz a mortalidade e fortalece a política de prevenção do câncer cervical.
Outro destaque é a autocoleta, uma alternativa importante para mulheres que evitam o exame ginecológico convencional. Essa possibilidade amplia a adesão ao rastreamento, tornando o processo mais acessível e acolhedor.

Fiocruz e o papel da inovação no SUS
O desenvolvimento do teste DNA-HPV é resultado do trabalho da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), referência em pesquisa e inovação em saúde pública no Brasil. A iniciativa fortalece a capacidade do país de produzir tecnologia própria e atender a demandas prioritárias do SUS.
Além disso, o projeto segue a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que defende a adoção de métodos moleculares para o rastreamento do câncer cervical como parte da meta global de eliminar a doença como problema de saúde pública até 2030.

Presidente da Fiocruz, Mario Moreira na Unidade Básica de Saúde de Campo Belo, em Curitiba. Foto: Itamar Crispim, Fiocruz Paraná
Perspectivas e metas de prevenção
A ampliação do uso do DNA-HPV no Brasil tem potencial para reduzir de forma significativa os índices de câncer do colo do útero, impactando diretamente a qualidade de vida de milhões de mulheres. Somada à vacinação contra o HPV, essa estratégia coloca o país em destaque na luta pela prevenção da doença.
Novos Avanços
A chegada do teste DNA-HPV ao SUS marca um avanço histórico na prevenção do câncer do colo do útero no Brasil. Com maior precisão, detecção precoce e intervalos mais longos entre os exames, a tecnologia desenvolvida pela Fiocruz representa uma mudança de paradigma no cuidado com a saúde da mulher. Além de reduzir custos e ampliar a cobertura do rastreamento, o novo exame coloca o país em sintonia com as recomendações da Organização Mundial da Saúde, aproximando o Brasil da meta global de eliminar o câncer cervical como problema de saúde pública até 2030.












