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Cadê o Pop BR ?

Gênero tem aparecido pouco nas principais paradas musicais do Brasil.

Recentemente a cantora e compositora Carol Biazin, entrou na lista das 50 músicas mais ouvidas do pais no Spotify com “Amor Traumatizado”, uma regravação em parceria com Felipe Amorim que mescla pop e o piseiro. Considerada uma artista pop, Carol se tornou a única representante do gênero na parada, o que chamou atenção.

Até o fechamento desta matéria, o pop nacional está ausente na Hot 100 da Billboard Brasil e ficou fora das 50 músicas mais ouvidas do semestre, lista foi divulgada pela Pró-Music , que compilou dados das principais plataformas de streaming, Spotify, Youtube, Deezer, Apple Music, Amazon Music e Napster.

Foto: Divulgação Carol Biazin

Para entender esse cenário, conversei com o jornalista, mestre em comunicação e pesquisador, Flávio Marcílio Maia, que tem estudos publicados sobre a relação da música com o streaming. Para ele, o conceito de pop no Brasil se tornou complexo.

“Acredito que quando pensamos em música pop, criamos um entendimento muito “norte global”, uma música padronizada e produzida por uma estética que quando trazida para o Brasil acaba se misturando a nossa diversidade cultural. Durante as últimas décadas do século XX e principalmente na primeira década dos anos 2000 essa estética pop era bastante colocada: Rouge, Wanessa Camargo, Kelly Key e KLB são alguns nomes que traziam em si essa ideia pop importada. Hoje, a partir do acesso mais descentralizado às produções musicais de todo o mundo, a ideia de pensar e conceitualizar música pop torna-se complexa para além de um gênero musical. Se uma música torna-se a mais ouvida do país durante um espaço tempo ela não pode ser considerada pop? “, questiona Flávio.

Dificuldade na classificação

Ao contrario de outros gêneros, o pop nacional incorpora elementos musicais de funk, axé, sertanejo, R&B, entre outros. Muitos artistas associados ao pop são facilmente atrelados a outros ritmos,como é o caso de Anitta e Ludmilla com o funk.

Questionado sobre a relação entre a ausência do pop brasileiro nas paradas e a dificuldade de sua classificação, Maia explicou “A música brasileira pode ser pop em diferentes ritmos. E isso não quer dizer que a música pop, pensada e trabalhada a partir de lógicas da indústria musical, também não possa existir. A questão é ela se tornar relevante em um cenário diverso como o nosso”.

Futuro do Pop BR

Para o futuro do gênero no Brasil, Flávio Marcílio Maia ressaltou “O pop BR existe e resiste, mesmo que de forma nichada e camuflada em outros ritmos brasileiros. O pop sempre repete as mesmas fórmulas e sempre haverá público para isso, mesmo que de uma forma menos midiática/mainstream”.

Foto 1; Anitta (Foto: Pedro Fiúza Nur/PhotoSipa/ AP), Ludmilla (Foto: Steff Lima), Marina Sena( Foto: Instagram @amarinasena) e Jão ( Foto: Divulgação do álbum “Super”).

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