Cidade japonesa homenageia vítimas, e líderes pedem fim das armas nucleares
Para homenagear sobreviventes e vítimas do ataque nuclear de 1945, autoridades e enviados estrangeiros se reuniram neste sábado (9) diante da Estátua da Paz, em Nagasaki.
De forma silenciosa, o primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, depositou uma coroa de flores enquanto o Sino da Paz soava.
Em discurso, o prefeito de Nagasaki, Shiro Suzuki, alertou para o risco iminente de uma guerra nuclear e pediu à comunidade internacional que “interrompa imediatamente os conflitos armados”. Mais de 100 delegações participaram da cerimônia, incluindo as da Rússia e de Israel, países envolvidos em conflitos na Ucrânia e na Palestina e que, nos últimos anos, não haviam enviado representantes ao evento.
O prefeito de Hiroshima, Kazumi Matsui, cidade lembrada na quarta-feira (6), afirmou que os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia contribuem para a aceitação de armas nucleares como forma de defesa.
Ele discursou diante da Cúpula Genbaku, edifício que resistiu ao impacto da explosão atômica, e declarou:
“Esses acontecimentos desconsideram as lições que a comunidade internacional deveria ter aprendido com as tragédias da história.”
Segundo a emissora NHK Japan World, Nagasaki parou às 11h02, horário exato da explosão, antecedido por preces espalhadas pela cidade. Ainda de acordo com a emissora, uma lista com nomes das vítimas foi incluída no memorial, somando 201.942 pessoas, entre elas sobreviventes que morreram nos últimos 12 meses.
No discurso de paz, Shiro Suzuki afirmou:
“Cessem imediatamente as disputas em que a força se responde com força. Os conflitos em todo o mundo estão se intensificando em um ciclo vicioso de confronto e fragmentação. Se continuarmos nessa trajetória, acabaremos nos lançando em uma guerra nuclear.”
O premiê Shigeru Ishiba disse que o Japão liderará esforços internacionais para criar um mundo sem armas nucleares.
Armas nucleares
Relatório divulgado em junho pelo Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri) concluiu que, diante da instabilidade global, cresce a probabilidade de uso de armamento nuclear. O estudo aponta que quase todos os nove países que possuem esse tipo de arma, Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Coreia do Norte e Israel, continuaram, em 2024, programas de modernização, atualizando arsenais existentes e desenvolvendo versões mais recentes.
“A era de redução do número de armas nucleares no mundo, que perdurou desde o fim da Guerra Fria, está chegando ao fim. Em vez disso, vemos aumento dos arsenais, intensificação da retórica nuclear e abandono de acordos de controle de armas”, disse Hans Kristensen, pesquisador sênior do Sipri.













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