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Polícia Federal deflagra operação contra Jair Bolsonaro; ex-presidente usará tornozeleira eletrônica

Foto: Cristiano Mariz / O Globo

Ex-presidente é alvo de nova fase da investigação sobre tentativa de golpe e terá de cumprir medidas cautelares impostas pelo STF, incluindo uso de tornozeleira eletrônica.

Em mais um capítulo da crise institucional que se arrasta desde as eleições de 2022, a Polícia Federal cumpriu na manhã desta sexta-feira (18) mandados de busca e apreensão contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em sua residência oficial e em endereços ligados ao Partido Liberal, legenda à qual é filiado. A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou uma série de medidas cautelares contra Bolsonaro, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

A decisão do STF foi tomada no âmbito da investigação que apura a tentativa de golpe de Estado após a derrota de Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o ex-presidente estaria atuando para dificultar o julgamento do processo, o que poderia configurar crimes como:

  • Coação no curso do processo
  • Obstrução de justiça
  • Ataque à soberania nacional

Com base nisso, Moraes determinou:

  • Monitoramento eletrônico por tornozeleira
  • Recolhimento domiciliar noturno (das 19h às 7h)
  • Proibição de uso de redes sociais
  • Impedimento de comunicação com embaixadores, diplomatas estrangeiros e outros réus ou investigados

A operação gerou forte repercussão no meio político. Parlamentares da oposição classificaram as medidas como “exageradas” e “tentativa de silenciamento”, enquanto líderes da base governista defenderam a atuação do STF como necessária para preservar a democracia. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, afirmou que “colocaram tornozeleira em Bolsonaro, mas não há crime, não há prova. Só há um ‘delito’: enfrentar o sistema”.

Já a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou recentemente as alegações finais no processo, pedindo a condenação de Bolsonaro por cinco crimes relacionados à tentativa de golpe.

Bolsonaro já é réu em ação penal que tramita no STF e, com as novas medidas, passa a ser monitorado 24 horas por dia. A proibição de se aproximar de embaixadas e de manter contato com diplomatas estrangeiros também visa evitar qualquer tentativa de pedido de asilo político, hipótese que circulava nos bastidores da diplomacia brasileira.

A defesa do ex-presidente ainda não se pronunciou oficialmente sobre as medidas, mas fontes próximas indicam que recorrerão da decisão. Enquanto isso, Bolsonaro permanece em Brasília, sob vigilância da Justiça, em um cenário que pode redefinir os rumos da política nacional.

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