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Ministro do Esporte cita assassinato de líder supremo por ataques americanos e afirma que condições para participação em solo norte-americano não existem
Em uma declaração explosiva à TV estatal nesta quarta-feira (11), o ministro do Esporte do Irã, Ahmad Donyamali, anunciou que a seleção masculina de futebol não participará da Copa do Mundo de 2026, que será sediada pelos Estados Unidos, Canadá e México. A decisão radical é uma resposta direta à escalada do conflito militar com os EUA e à morte do líder supremo do país, Aiatolá Ali Khamenei.
“Considerando que este regime corrupto assassinou nosso líder, sob nenhuma circunstância podemos participar da Copa do Mundo“, declarou Donyamali, em referência aos ataques aéreos realizados pelos Estados Unidos e Israel no dia 28 de fevereiro, que mataram Khamenei e mergulharam a região em um conflito de grandes proporções . O ministro iraniano foi enfático ao justificar o boicote, citando a insegurança e o luto nacional. “Nossas crianças não estão seguras e, fundamentalmente, tais condições para participação não existem. Eles nos forçaram duas guerras em oito ou nove meses e mataram e martirizaram milhares de nosso povo. Portanto, certamente não podemos ter tal presença” .
A decisão de Teerã contraria os recentes esforços diplomáticos da FIFA e a sinalização da própria Casa Branca. Na terça-feira (10), o presidente da FIFA, Gianni Infantino, reuniu-se com o presidente dos EUA, Donald Trump, para discutir os preparativos para o torneio. Após o encontro, Infantino publicou em suas redes sociais que Trump havia reiterado que a equipe iraniana seria “bem-vinda” para competir em solo americano, separando o esporte das tensões políticas . “Todos nós precisamos de um evento como a Copa do Mundo FIFA para unir as pessoas agora mais do que nunca“, escreveu Infantino . A declaração de Donyamali, no entanto, sepulta qualquer possibilidade nesse sentido.
O anúncio coloca a FIFA em uma situação delicada a menos de três meses do pontapé inicial, marcado para 11 de junho. O Irã, que dominou as eliminatórias asiáticas e garantiu vaga em março do ano passado, estava no Grupo G ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Todas as suas três partidas da fase de grupos estavam programadas para acontecer nos Estados Unidos: duas em Inglewood, Califórnia (contra Bélgica e Nova Zelândia), e uma em Seattle (contra o Egito) .
Com a confirmação do boicote, a FIFA terá que acionar seus regulamentos. De acordo com as regras da entidade, qualquer equipe que desistir do torneio está sujeita a multas que podem chegar a 250 mil francos suíços (cerca de R$ 1,6 milhão). Sanções mais severas podem incluir a exclusão da federação iraniana de competições futuras . Em termos práticos, a vaga deverá ser preenchida por outra seleção. A imprensa internacional especula que o time com melhor classificação entre os eliminados nas eliminatórias da Ásia (AFC) seja o escolhido, com o Iraque surgindo como o principal candidato a herdar a vaga, seguido de perto pelos Emirados Árabes Unidos .
Enquanto o mundo do futebol digere a notícia, a ausência iraniana já é sentida. A equipe foi a única ausente em uma reunião de planejamento da FIFA para os participantes da Copa, realizada na última semana em Atlanta . O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, já havia indicado a insatisfação do regime, questionando: “Qual pessoa sã enviaria a seleção nacional para os EUA se a Copa do Mundo se tornasse tão política quanto foi na Austrália?” . A declaração se refere a um incidente recente em que seis jogadoras da seleção feminina pediram asilo na Austrália durante a Copa da Ásia .
A decisão do Irã representa um dos maiores choques entre política e esporte na história recente dos megaeventos esportivos, transformando a primeira Copa do Mundo com 48 seleções em um cenário de crise geopolítica sem precedentes.












