Novo trabalho recebe ainda um show de lançamento em Salvador
O artista quilombola baiano Vall Santos lançará nesta sexta-feira (07), seu primeiro EP, intitulado “A Voz de um Povo”, em um show de lançamento às 19h, em Salvador. O local escolhido para o evento é o Jazz na Avenida, tradicional casa de shows localizada no coração do Jardim Armação, que há mais de 10 anos transforma as noites em celebrações da música, reunindo músicos consagrados.
Para a entrada, cada pessoa poderá levar 1 kg de alimento ou realizar um pix solidário, que será destinado à Ação Social JNA.
“O Jazz na Avenida é muito especial para mim e foi minha escola. Tocar lá apresentando meu próprio show e meu primeiro EP é a realização de um sonho! Afinal, foi lá que dei minhas primeiras canjas, na tradicional jam session que eles promovem depois dos shows, aberta ao público. Mesmo sendo iniciante na época, pude cantar acompanhado por excelentes músicos, profissionais que tocavam com artistas como Daniela Mercury, Margareth Menezes e Mariene de Castro. Lá também fiz conexões com músicos de outras partes do Brasil e do exterior. Foi a partir disso que iniciei minha carreira na música”, conta Vall.
A banda de apoio para o show de lançamento contará com Felipe Pires (guitarra e direção musical), Gabriel Caldas (bateria), Fael Luz (baixo) e Érica Sá (percussão).
Após o lançamento, as faixas estarão disponíveis em seis plataformas digitais – Ouça aqui.

Faixa a faixa: “A Voz de um Povo”
O EP é composto por quatro faixas nas quais Vall visita ritmos como ijexá, samba, baião e samba-reggae, mesclando elementos eletrônicos e orgânicos. Nessas canções, o artista homenageia suas raízes por meio de composições que contam histórias autobiográficas sobre os grandes pilares afetivos e musicais de sua vida: sua mãe, Dona Guinha, e seu pai, Zeca. O trabalho também celebra sua identidade nordestina, com origem na comunidade tradicional de Lagoa Grande, em Feira de Santana, e a relação profunda entre a natureza, o sagrado e o ser artista.
O título “A Voz de um Povo” , que também dá nome a uma das faixas, faz referência ao pai de Vall, Zeca, artista amador que sempre animou as festas da comunidade quilombola de Lagoa Grande. “Ele cantava e compunha, mas não exerceu a arte como profissão, pois trabalhava na construção civil como encanador para criar os cinco filhos”, conta Vall. O tradicional grupo de samba de roda Quixabeira da Lagoa da Camisa, também da região, é outra inspiração importante para essa canção.
Juazeiro: Fala sobre a força e a resiliência, utilizando a árvore como metáfora para representar a trajetória pessoal do artista que, assim como ela, consegue sobreviver ao clima do semiárido brasileiro, em uma jornada marcada por muitos desafios. A canção vem em ritmo de baião, simbolizando a força e a tradição do povo nordestino, e traz uma doçura no vocal como forma de comunicar que, apesar das dificuldades, não devemos nos embrutecer.
Silêncio do Mar: É uma canção mais introspectiva, um manifesto para o autoconhecimento, que traz como referência a música afro-baiana, com elementos percussivos, cadências e arranjos que reproduzem o movimento das marés.
Amar é Pedagógico: Faixa lançada como single em outubro em homenagem ao Dia dos Professores e à mãe de Vall, Dona Guinha, revisita a memória do cuidado materno que afirmava, desde cedo, a beleza de suas características físicas, pele negra e cabelos crespos. O samba-canção busca valorizar todas as figuras construtivas que assumem papel decisivo na construção da autoestima e do senso de identidade das crianças pretas.
Produção
Com produção musical e arranjos de Diego Moreno e Faustino Beats, que também assina como coautor, o lançamento é uma parceria com o selo Sonora Digital. O EP foi gravado em Salvador, no estúdio de Faustino, e em Campinas (SP), no What a Folk Studio, com direção e edição de Cláudio Paladini, três vezes vencedor do Grammy Latino como produtor musical.
A preparação vocal e direção de voz ficaram sob a responsabilidade do também premiado vocal coach Fausto Caetano.
Arte na visão de Vall Santos
Na concepção colonial do que é ser artista, a expressão, coletiva ou individual, por meio das artes parece estar separada da vida cotidiana. No entanto, nas comunidades tradicionais quilombolas, assim como entre povos originários de qualquer parte do mundo, canta-se e dança-se todos os dias. A música e o movimento do corpo estão presentes na rotina, na convivência, nas celebrações e nos rituais.
“Esse universo, onde se faz tudo cantando e dançando, é o lugar de onde eu vim! Cada uma das minhas canções é um convite a todo aquele que queira se reconectar com sua natureza humana. São essas as lições da ancestralidade que quero compartilhar com meu primeiro EP”, afirma Vall.



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Imagens: Divulgação












