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EUA: Departamento de Guerra inicia procedimento para retirada de jornalistas das dependências do Pentágono  

Determinação de “revista” em conteúdos antes da publicação infringe Constituição americana. 

Na última quinta-feira (16), o Departamento de Guerra dos EUA iniciou o procedimento de afastamento de jornalistas que, até então, tinham livre acesso às dependências do Pentágono – sede do Departamento de Guerra dos EUA.  

De 60 correspondentes que cobriam o Pentágono, 56 deixaram suas credenciais e saíram em conjunto com caixas de documentos, cadeiras e até impressoras de dentro das alas destinadas a imprensa que havia dentro do prédio. O único veículo que decidiu pela permanência e assinatura do memorando que autoriza a cobertura de dentro do prédio, é a One America News Network. Portais de notícias como o The New York Times, NBC News, CNN e até a Fox News – canal de notícias que o atual Secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, foi apresentador – decidiram por não assinarem o acordo.  

Correspondentes que atuavam no Pentagono penduraram seus crachás para retirada do prédio.
Crachás de correspondentes que cobriam o Pentágono foram deixados, após recusa na assinatura do novo requerimento.

O que aconteceu?  

No fim do mês de setembro, foi publicado uma determinação do alto escalão do Departamento de Guerra sobre a circulação de jornalistas nas dependências do Pentágono, em Arlington, Virginia.  

De acordo com a determinação, jornalistas que gostariam de manter a autorização para atuar dentro do Pentágono, deveriam assinar um memorando, autorizando o governo americano a fiscalizar, passando por um censor, qualquer notícia referente ao setor militar dos EUA antes de ser publicada pelo portal de notícia.  

“[…] devem ser aprovadas para divulgação pública por um funcionário autorizador apropriado antes de serem divulgadas, mesmo que não sejam confidenciais […]”  – afirmou no documento. 

Essa medida tomada pelo Secretário de Guerra, e endossada pelo Presidente Donald Trump, foi tomada pelo mal-estar causado no Departamento após o ataque dos EUA nas instalações nucleares iranianas para pôr fim no programa nuclear iraniano, e pressionar pelo fim da ‘guerra de 12 dias’, em junho deste ano, travada através de bombardeios entre Israel e Irã, intensificada a cada dia. Na ocasião, após o surpreendente ataque dos EUA no Irã, utilizando o bombardeiro B-2 nas instalações nucleares no subsolo do território iraniano, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em comunicado oficial que, o ataque às instalações nucleares subterrâneas, havia sido um sucesso e que teria destruído completamente, tanto as instalações, quanto os insumos essenciais para a criação de uma bomba nuclear, entretanto, de acordo com veículos de imprensa que coletaram informações vindas do Pentágono, publicaram matérias desmentindo o governo Trump, afirmando que, apesar do ataque ter sido prejudicial para o Irã, o regime do Aiatolá ainda teria capacidade de continuar com seu programa, mesmo que atrasando em meses o seu processo.  

Pete Hegseth, Secretário de Guerra dos EUA.

Esses vazamentos irritaram o governo dos EUA. Trump ignorou os relatórios e permaneceu afirmando que “foi um ataque devastador.”. Referente ao programa nuclear iraniano, afirmou ter obtido um “apagamento total.”. 

A decisão de controlar as informações que saem do Pentágono torna-se mais uma na soma de diversas decisões e ataques do governo Trump à imprensa desde o início deste segundo mandato. Após a morte de Charlie Kirk, o comediante Jimmy Kimmel – apresentador do Jimmy Kimmel Live (ABC) – foi afastado por 10 dias após comentários ironizando tentativa do movimento MAGA – Make America Great Again – classificar o assassino de Kirk como um possível integrante dos Democratas. Emissoras parceiras pressionaram a ABC, afirmando que não transmitiriam o programa após pressão de Brendan Carr, presidente da Comissão Federal de Comunicações dos EUA . A decisão foi comemorada por Trump, que já havia comentado sobre Kimmel e outros apresentadores de programas de TV assumidamente anti-Trump.  

Emissoras de televisão temem represálias de Brendan Carr, que pode visar concessões de transmissão e até assuntos comerciais, como fusão de empresas do setor de mídia ou ampliação operacional.  

A escalada das tensões entre setores de mídia dos EUA e o governo, são perceptiveis inclusive no dia a dia da Casa Branca, com Trump ironizando e atacando repórteres que cobrem o prédio presidencial em Washington D.C., ou através de sua Porta-voz Karoline Leavitt, que durante entrevistas coletivas na Casa Branca, trava sucessivos embates com correspondentes, através de ironias e até ofensas.  

Karoline Leavitt, Porta-voz do governo Trump.

Veja os portais que rejeitaram os requerimentos do Pentágono:  

  • ABC News 
  • Air & Space Forces Magazine 
  • Al Jazeera 
  • AL-Monitor 
  • Aviation Week 
  • Axios 
  • Bloomberg News 
  • Breaking Defense 
  • C4ISRNET 
  • CBS News 
  • CNN 
  • Defense Daily 
  • Defense News 
  • Defense One 
  • Federal Times 
  • Fox News 
  • HuffPost 
  • Military Times 
  • MSNBC 
  • Newsmax 
  • NBC News 
  • NPR 
  • PBS Newshour 
  • Politico 
  • RealClearPolitics 
  • Reuters 
  • Task & Purpose 
  • USNI News 
  • WTOP 
  • The Associated Press 
  • The Atlantic 
  • The Daily Caller 
  • The Economist 
  • The Financial Times 
  • The Guardian 
  • The Hill 
  • The New York Times 
  • The Wall Street Journal 
  • The Washington Examiner 
  • The Washington Post 
  • The Washington Times 

A One America News Network foi a única que decidiu por permanecer e assinar o documento do Departamento de Guerra. 

Pete Hegseth, secretário de Guerra dos EUA, afirmou que “O acesso ao Pentágono é um privilégio, não um direito” 

NOTA: O documento que restringe a públicação de matérias sem o conhecimento prévio do alto escalão do Pentagono, foi públicado pelo jornal The New York Times.

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