Dos 172 ministros nomeados, apenas sete fugiram do padrão branco e masculino que historicamente define a Suprema Corte brasileira
Nesta quarta-feira (15), diversas organizações da sociedade civil se mobilizaram na Arena Carioca 2, na Barra da Tijuca (RJ), para reivindicar a indicação de uma mulher negra ao Supremo Tribunal Federal (STF). É a terceira vez, em 18 meses, que movimentos sociais pressionam o governo federal para quebrar o padrão histórico de nomeações ao tribunal. O ato coincidiu com a passagem do presidente pela cidade, onde participou de uma cerimônia em homenagem ao Dia dos Professores, no Ginásio Educacional Olímpico Isabel Salgado.
Durante o evento, Lula afirmou que pretende indicar uma pessoa “gabaritada” para a vaga aberta no STF, sem especificar gênero ou raça:
“Quero uma pessoa, não sei se mulher ou homem, não sei se preta ou branca, mas quero alguém que seja, antes de tudo, gabaritada para ser ministro da Suprema Corte”, declarou o presidente.
Juristas cotadas ao STF
Em 134 anos, o Brasil nunca teve uma mulher negra nomeada e empossada no STF, uma realidade que movimentos sociais classificam como reflexo da desigualdade racial e de gênero no Judiciário.
Entre as juristas negras cotadas para o cargo estão Adriana Cruz, Vera Lúcia Santana Araújo, Lívia Sant’Anna Vaz, Edilene Lôbo, Mônica Melo, Manuelita Hermes, Karen Luise Vilanova, Soraia Mendes, Sheila de Carvalho, Lívia Casseres, Lucineia Rosa e Flávia Martins.

Com o aumento das listas de juristas indicadas por entidades civis, observa-se uma mudança de padrões na comunidade jurídica brasileira. Em abril de 2023, eram três nomes; atualmente, já são doze — indicando um sinal de avanço no debate sobre representatividade no Judiciário.
Movimentos organizadores e contexto político
O ato foi organizado por Mulheres Negras Decidem, Instituto de Defesa da População Negra (IDPN), Comitê Nacional da Marcha das Mulheres Negras, Coalizão Negra por Direitos, Rede Feminista de Juristas, Instituto Lamparina e Instituto Juristas Negras.
As organizações afirmam que a manifestação teve como objetivo cobrar do governo federal medidas efetivas para reduzir desigualdades raciais e de gênero — compromisso assumido por Lula desde sua posse, em 1º de janeiro de 2023, quando subiu a rampa do Planalto ao lado de representantes da diversidade brasileira.

De acordo com os movimentos, manter o padrão histórico de indicações pode representar um retrocesso político e simbólico, contrariando as expectativas de parte expressiva da população que defende maior representatividade nas instituições de poder.












