Cantora árabe contemporânea retorna com obra experimental e politicamente engajada.
Após oito anos afastada dos palcos, a cantora libanesa Yasmine Hamdan retorna ao meio musical com seu novo álbum chamado “I remember I forget بنسى وبتذكر“. O disco, lançado no mês de setembro de 2025, tem atraído atenção do público geral e da crítica.
A musicalidade da nova obra combina música eletrônica com letras reflexivas, e representa de forma sensível as mudanças da realidade política de sua região, atravessada pela pandemia, crises humanitárias e eclosão do Porto de Beirute. O álbum conta com dez faixas, todas com letras árabes e sonoridade experimental, que mistura trip hop, ambient e música eletrônica sofisticada.
As letras expõem as vivências dê uma cidadã cujo país enfrenta um cenário político fragmentado. Hamdan mostra-se crítica à criação da arte visando apenas o consumo e fiel às suas raízes e realidade que vivencia.
A faixa que carrega o nome do álbum crítica a banalização da violência e a
à manipulação social. Em tradução livre, Yasmine canta:
“A morte é normal, mentir é normal… a preocupação é normal, o medo é normal”
No contexto de um Líbano em crise, Hamdan ressurge como uma ligação entre memória e coletividade. O álbum atravessa fronteiras geográficas, e reafirma a artista como uma das vozes mais intrigantes do cenário alternativo árabe.
Quem é Yasmine Hamdan?

Yasmine Hani Hamdan nasceu em Beirute, Líbano, em 1976, em meio à guerra civil libanesa. Ainda bebê, viveu entre o Líbano, Kuwait e Emirados Árabes Undios. Em 1990, retornou junto de sua família ao Líbano.
Sua carreira musical é diretamente influenciada por tradições árabes antigas, arte moderna e cultura eletrônica. Sua carreira teve início em 1997, quando fundou o grupo Soapkills, uma das primeiras bandas eletrônicas independentes no Oriente Médio.
Mais tarde, mudou-se para Paris a fim de explorar sua carreira solo, experimentando diferentes estilos como pop, folk e música árabe tradicional. Sua musicalidade, desde a base, busca reivindicar sua pluralidade cultural, demonstrando compromisso com sua herança.
Yasmine Hamdan nunca se limitou a um único idioma ou território. Sua presença em festivais internacionais e trilhas sonoras (como no filme Only Lovers Left Alive, de Jim Jarmusch) consolidou sua posição como uma ponte cultural entre o mundo árabe e o ocidente alternativo.
Agora, aos 49 anos, ela retorna com mais maturidade em “I Remember I Forget”. Sendo considerada, hoje, uma das vozes árabes e alternativas mais influentes de sua geração.
O novo álbum já está disponível nas principais plataformas digitais.












