Tumulto ocorreu na tarde de quarta-feira (15), em frente à Câmara Municipal, no Centro Histórico | Foto: Elson Sempé Pedroso/CMPA
Manifestantes realizaram um protesto em frente à Câmara de Vereadores de Porto Alegre (RS) na tarde desta quarta-feira (15) após serem barrados de entrar no plenário para acompanhar a votação sobre dois projetos: um deles restringe a atuação de catadores em Porto Alegre e o outro tratava da concessão do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) à iniciativa privada.
A presidente da Câmara, Comandante Nádia (PP), acionou um protocolo de segurança que restringiu a entrada de parlamentares e manifestantes no plenário Otávio Rocha.
Durante a confusão, agentes da Ronda Ostensiva Municipal utilizaram gás lacrimogênio e balas de borracha para dispersar parlamentares e membros de movimentos sociais. O tumulto ocorreu justamente no dia de entrega da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, pelo prefeito Sebastião Melo (MDB).
Na entrada da Câmara, manifestantes seguravam cartazes e bradavam contra a LOA 2026.
Em vídeo publicado nas redes sociais, a vereadora e presidente da CPI do Dmae – que investiga o processo de desmonte e denúncias de corrupção no departamento, e o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB) -, Natasha Ferreira (PT), criticou a ação da Comandante Nádia (PP).
“Isso mostra como a extrema direita trata as pessoas mais pobres dessa cidade. Faz com que as pessoas não possam acessar a Câmara de Vereadores que elas sustentam. Os nossos salários são pagos pelo povo! Mas o que faz a extrema direita na figura da Nádia? Fecha a Câmara de Vereadores!”, disse a parlamentar.
A vereadora do PSOL, Grazi Oliveira, considerou a ação das forças de segurança como autoritária. “É inaceitável o que aconteceu. Vereadores da Casa foram atacados na Casa do Povo, na Câmara de Vereadores, tentando mediar. A gente queria que o povo tivesse o direito de entrar na casa”, afirmou.
“Avisamos que este protocolo que tinha sido imposto de forma autoritária levaria a um tipo de conflito que não era necessário nesta Casa, porque nós tínhamos uma manifestação pacífica ali na frente”, disse a vereadora Juliana de Souza (PT).
A Comandante Nádia (PP) disse que “os nossos guardas municipais têm as câmeras corporais, todas as imagens foram filmadas, e nós vamos fazer análise devida para que a gente possa saber o que aconteceu realmente”. Segundo ela, “por questão de segurança, foi necessária a intervenção da Guarda Municipal para garantir a integridade dos vereadores, dos assessores, da própria imprensa e das pessoas que estavam assistindo à sessão”.
A sessão foi retomada pouco depois das 18h, sob protestos da oposição, e foi suspensa cerca de meia hora depois.
A conduta da Guarda Municipal de Porto Alegre será analisada pela Câmara após os confrontos. Em nota, a administração municipal informou que o prefeito Sebastião Melo (MDB) determinou à Secretaria Municipal de Segurança (Smseg) a abertura de Inquérito Preliminar Sumário (IPS) para apurar fatos envolvendo a Guarda e manifestantes. O procedimento deve averiguar os elementos contribuintes para o ocorrido, incluindo as imagens de câmeras corporais dos agentes de segurança.












