Analistas veem na eleição de Takaichi um símbolo da guinada à direita e do fortalecimento do nacionalismo japonês.
O Japão deu um passo inédito neste sábado (4) com a eleição de Sanae Takaichi, de 64 anos, como a primeira mulher a presidir o Partido Liberal Democrata (PLD), partido que governa o país há quase sete décadas. Ex-ministra da Segurança Econômica e conhecida por posições ultraconservadoras, Takaichi derrotou o ministro da Agricultura, Shinjiro Koizumi, de 44 anos, em uma disputa acirrada que foi decidida no segundo turno.
A nova líder do LDP deve ser indicada como primeira-ministra em uma sessão extraordinária do Parlamento prevista para 15 de outubro, o que fará dela a primeira mulher a chefiar o governo japonês.
Takaichi venceu o segundo turno com 185 votos, contra 156 de Koizumi, apoiada principalmente por bases locais do partido e afiliados. Ela sucede o premiê Shigeru Ishiba e cumprirá o restante do mandato até setembro de 2027.
Durante sua campanha, Takaichi prometeu endurecer políticas migratórias e adotar uma postura mais firme em relação a estrangeiros no país, uma pauta que tem ganhado força entre o eleitorado conservador. Segundo o cientista Hiroshi Shiratori, da Universidade Hosei, a candidata conseguiu recuperar votos que haviam migrado para partidos de direita, como o Sanseito e o Partido Democrático do Povo.
“A eleição teve forte influência das redes sociais e de grupos conservadores que se sentem ameaçados por mudanças culturais e econômicas”, avaliou Shiratori.
O movimento reflete uma tendência observada em países ocidentais, afirma Ukeru Magosaki, diretor do Instituto da Comunidade do Leste Ásiatico e ex-diplomata japonês.
“O Japão enfrenta estagnação econômica e aumento da desigualdade. Assim como em outras nações, cresce a associação entre dificuldades financeiras e a xenofobia”, explicou
A vitória de Takaichi ocorre em meio a uma crise política: o LDP e seu parceiro Komeito perderam a maioria nas duas casas do Parlamento pela primeira vez desde a fundação do partido, em 1955.
Em sua primeira coletiva após o resultado, Takaichi afirmou que o partido “entra em uma nova era” e prometeu transformar as “ansiedades do público em esperanças”.
Analistas apontam que o primeiro grande desafio da nova líder será obter apoio parlamentar para confirmar sua nomeação como primeira-ministra e, em seguida, reconstruir as relações diplomáticas com países vizinhos, especialmente a China.
Pequim reagiu com cautela ao resultado. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que “a eleição é um assunto interno do Japão”, mas ressaltou a expectativa de que Tóquio “honre compromissos históricos e mantenha uma política racional e positiva em relação à China”













