Cerimônias no Japão relembram oito décadas desde os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki. Sobreviventes e autoridades renovaram o apelo global pela eliminação total das armas nucleares
Ontem (terça-feira, 5) e nesta quarta-feira (6), cerimônias em Hiroshima e Nagasaki relembraram os ataques nucleares que destruíram as cidades em agosto de 1945. Com a presença de representantes de cerca de 120 países, autoridades e hibakusha, sobreviventes dos bombardeios, reforçaram seu compromisso com a causa da paz, denunciando a ameaça atual representada pela existência contínua de armas nucleares.
O prefeito Kazumi Matsui, em declaração no Parque Memorial da Paz de Hiroshima, alertou que conflitos atuais, na Ucrânia e no Oriente Médio, têm contribuído para uma perigosa normalização das armas nucleares, afirmando que os 120 países presentes deveriam apoiar o desarmamento global em vez de reforçar a doutrina da dissuasão.
Segundo a Reuters, o ataque à cidade resultou na morte imediata de cerca de 78.000 pessoas, com dezenas de milhares mais sucumbindo posteriormente aos efeitos da radiação. Hoje, entre os sobreviventes registrados, os hibakusha, restam menos de 100.000, com idade média superior a 86 anos.
Entre os sobreviventes que têm ganhado protagonismo neste momento histórico estão Kunihiko Iida, em Hiroshima, que sobreviveu com apenas 3 anos de idade e hoje atua como guia no parque da paz, e Fumiko Doi, em Nagasaki, que escapou por pouco do bombardeio enquanto viajava de trem. Ambos compartilham suas histórias publicamente e participam ativamente de movimentos antinucleares, motivados por preocupações com o ressurgimento de tensões globais.
Prêmio Nobel da Paz
O grupo Nihon Hidankyo, rede de sobreviventes fundada em 1956, foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz em 2024 por sua contagem de testemunhos e sua campanha eficaz contra armas nucleares. A premiação ampliou sua visibilidade internacional e renovou a esperança de avanço no desarmamento.
O Papa Leão XIV, o primeiro pontífice nascido nos EUA, emitiu uma carta condenando o conceito de dissuasão nuclear como uma “segurança ilusória”. Ele destacou que a destruição de Hiroshima deve servir como alerta permanente contra a normalização da guerra nuclear.
Contemplando o envelhecimento dos hibakusha e a queda acentuada em seus números, jovens como Shun Sasaki, 12 anos, assumem a missão de preservar as memórias da tragédia.
Guiando turistas no Parque Memorial da Paz desde os 7 anos, Shun compartilha relatos da bisavó sobrevivente e, por sua atuação, foi escolhido para falar na cerimônia oficial deste ano.












