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10 anos de Mariana: manifestações rememoram devastação e impunidade

Raquel Freitas/TV Globo

Raquel Freitas/TV Globo

Após uma década do desastre em Mariana (MG), ninguém foi condenado pelo crime ambiental

Completa hoje (5) a primeira década do acidente da barragem do Fundão, em Mariana (MG). Mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos da mineração varreram o distrito de Bento Gonçalves e toda a região da bacia do Rio Doce. Manifestações em todo o país rememoram a tragédia, que permanece como um dos maiores crimes ambientais impunes de todo o planeta.

Homenagem e memórias de Mariana

Dezenove cruzes foram hasteadas em Bento Gonçalves (MG), em homenagem às quase 20 mortes de moradores da região. “Embora um pouco pesada, não é nem 10% do peso que temos carregado nesses dez anos”, afirma Mônica dos Santos, antiga moradora do distrito, para o g1. O ato encerrou com a soltura de balões biodegradáveis com sementes dentro.

Ato em memória de Mariana com presença de Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, Macaé Evaristo, ministra dos Direitos Humanos e representantes do MAB e da sociedade civil [Talisson Souza/ASCOM SGPR]
Ato em memória de Mariana com presença de Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, Macaé Evaristo, ministra dos Direitos Humanos e representantes do MAB e da sociedade civil [Talisson Souza/ASCOM SGPR]

O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, esteve presente no ato, que não contou com a participação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO). O braço direito de Lula teceu críticas à ausência do político mineiro no evento: “Parece um governador turista”, afirmou. Zema esteve no Rio de Janeiro para se encontrar com o ex-capitão do BOPE e atualmente deputado federal, Rodrigo Pimentel (PL). Em nota, o Governo de Minas Gerais prestou solidariedade às vítimas e aos familiares e afirmou estar trabalhando para que “tragédias como essa jamais se repitam”.

Em outro momento, Boulos criticou o uso do termo: “Tragédia não, crime”. O psolista relembrou a falta de condenações na Samarco, empresa de mineração responsável pela administração da barragem do Fundão, e que “o crime demanda reparação”.

Mariana em Retrospecto

 Ao longo dos anos, a Samarco e o Ministério Público realizaram acordos econômicos bilionários para reparar os danos sociais e ambientais da região, mas nenhum dirigente foi diretamente responsabilizado. Em novembro de 2024, a empresa e suas controladoras, Vale e BHP, foram absolvidos pela Justiça Federal, junto com sete réus que estariam envolvidos no crime pela omissão de reparos.

“É lamentável que quem cometa um crime dessa dimensão não seja punido. Demorar dez anos e ainda o resultado ser uma absolvição completa, isso é um convite pra reincidência” afirmou Boulos.

Mesmo com mais de R$140 bilhões em investimentos movimentados pelas empresas pelo poder público, o retrato de Bento Gonçalves ainda é de terra arrasada. As salas de aula com lamas secas, as casas com uma mescla de rejeitos e memórias. O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), organizador dos atos em memória de Mariana, ajudou na reconstrução dos assentamentos e na retomada da agricultura familiar local.

Às vésperas da COP 30

À cinco dias do início da Cúpula do Clima em Belém (PA), a mensagem de impunidade para crimes ambientais permanece. Hoje, cerca de 20 pessoas  realizaram um ato na fachada do prédio da Vale, na capital paraense. Os protestantes estavam com cartazes que diziam “A Vale mata rio, mata peixe e mata gente” e mãos sujas de lama.

O Ministério Público Federal recorreu da decisão de absolvição total dos réus, mas até agora, não houve mudanças no processo. A observação para crimes ambientais deve ser pautada na COP 30, e novas perspectivas para o caso de Mariana podem acontecer.

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